quarta-feira, maio 30, 2007

:: Capitulo XXVII :: Esquecido.

No dia em que contei ao líder da Igreja que havia trocado carícias com o um jovem da igreja, fui afastado de todos os cargos que possuía. Isso era óbivio, eu não era mais digno de fazer alguma coisa na instituição, havia transgredido as regras. Consciente disto, abri meu coração, e me confessei.
Como já relatei, tive que me afastar de F., oque me causou muita dor.
Porém uma outra dor me seria causada mais tarde.
Por ordem do líder eu deveria jejuar toda semana durante todo meu período probatório, afim de "controlar meus apetites e minhas paixões" . Não sei se citei isso ainda, mas a Igreja era algo muito forte em minha vida. Eu queria desesperadamente ser alguém "normal". Eu não queria sentir oque eu sentia, havia falhado fatalmente. Seguir as ordens que me foram dadas cegamente era minha maneira de auto flagelação, embora esta prática não seja doutrina da igreja, foi praticamente o que fiz, tamanha era o peso da culpa que sentia.
Passei a jejuar, conforme "aconselhado" uma vez por semana. Toda semana então me abstive de qualquer alimento sólido ou líquido, inclusive água por 24 horas. Dentro da igreja, durante as reuniões, permanecia calado, mal encarava as pessoas, tinha um sentimento estranho de que todos sabiam o que eu fiz, estava enganado, mas não tive nenhum acompanhamento do líder, e cada vez mais me sentia inferior a todos ali. Então decidi que não era mais digno de orar de joelhos em casa, e sempre o fazia deitado com a cara no chão. Por algumas vezes, enfraquecido pelos jejuns semanais, cansado do trabalho que algumas vezes ia até tarde da noite, adormeci durante minhas orações deitado no chão mesmo.
Como o líder não mais me chamou para conversar (hoje eu sei que foi negligência dele como líder que não me acompanhou) , permaneci neste estado de auto-flagelo, buscando a paz interior até que um dia, informalmente durante uma atividade na igreja onde meu líder jogava uma partida de futebol, me aproximei, e com muita vergonha perguntei:
"- Já faz alguns meses que estou fazendo o que me pediu, jejuando toda semana...até quando terei que faze-lo?"
Um sorrisinho amarelado surgiu no canto da boca do líder quando ele me respondeu com ar muito natural, de quem conta uma piada...
"-Sabe irmão que eu já havia me esquecido de você..."

Esta é uma ferida que guardo na alma até hoje.