Ontem me aconteceu uma coisa legal.
Um amigo meu veio e me contou que se abriu para Mãe dele.
Esse meu amigo é gay, mas não aceitava o fato. Ontem ele me disse:
"Contei a verdade para minha mãe..."
Interessante. Ainda não contei a verdade para minha mãe. Contei para um mundo de gente, mas com ela estou em falta. Não me entenda mal. É como se eu quisesse protege-la de algum mal, da decepção. Muita gente fala que se fosse eu, se fosse aceitava numa boa... bobagem, ninguém sabe a reação até que vai ter diante do abismo até estar diante do abismo, e diante de um abismo, e quase impossível não se perder o fôlego.
Ontem também conversei com um cara que se apaixonou por um garoto da Igreja presbiteriana.
Ele é lindo, mas acredito que se apaixonou pela pessoa errada e pior foi correspondido. Eles saíram juntos, fizeram um monte de coisas legais juntos e transaram.
Até aí tudo bem, o problema era como o cara da igreja iria administrar isso com a vida religiosa dele, mas a coisa se agravou quando o cara de fora da Igreja, foi a té a igreja e gostou doque viu e sentiu. Deus é poderoso, a simples menção do Seu nome e Sua palavra, pode mudar a vida de muita gente. Pois ele foi tocado por esta força invisivel. Agora se sente triste e amargurado, porque sabe que sendo ele homossexual, não pode ter a Deus. Chora o tempo todo, é como uma condenação. Eu disse a ele : "Eu sei a extenção da sua dor..."
A Gente se sente condenado a estar fora da presença Divina. Condenado a não participar da graça, por simplesmente ser aquilo que somos.
Bjs
Eu
quarta-feira, agosto 15, 2018
:: Capitulo XXXII :: "Em casa com as minhas memórias"
Eu mandei muitas caixas de bugigangas para para casa. Porém eu iria para JF antes de voltar em definitivo para minha casa. Estava feliz de alguma forma. Iria rever F. e muitos amigos de verdade. Não me lembro como foi. Muito tempo se passou. Hoje em dia não sei se reconheceria F se o visse na rua.
Minha passagem por JF foi rápida. Não fiquei muito tempo. Fui para Campos. De certa forma foi uma virada de pagina. Um ciclo que se encerrou.
Tempos depois minha tia se separou do marido. Na verdade ele deixou ela. Foi meio escroto da parte dele a maneira que foi. Mas não cabe a mim julgar. Cada um colhe apenas o que planta, e a partir deste momento é problema dela, não meu.
Eu precisava de alguma forma superar tudo, ir além e continuar.
Enfim eu era ex-missionário.
Mais um desempregado.
terça-feira, janeiro 11, 2011
:: Capitulo XXXII :: "A Pedra Grande"
Depois daquele assédio, a missão me pareceu correr para o fim. Sofri as tentações comuns que me eram impostas, mas segui adiante. Minha ultima área foi uma cidadezinha pequena próximo a SP nas margens da rodovia Fernão Dias, chamada Atibaia.
Vivi dias tranquilos mas não menos tentadores. Haviam rapazes bonitos em Atibaia, como em todo lugar e como em todo lugar, eu tenta me manter longe deles. Foi lá que uma moça se apaixonou por mim. Como missionário eu não poderia corresponder, mas disse que voltaria. Naquela época eu ainda lutava para fazer parte do "padrão" casar, ter filhos , ser pai de familia.
Em Atibaia existe a Pedra Grande, uma montanha cuja uma trilha leva até seu topo, um enorme descampado, na verdade uma pedra mesmo. A melhor maneira de aproveitar este "passeio" era subir lá no meio da madrugada. Uma vez lá no topo, era possível avistar várias cidades além da própria São Paulo.
Nós os missionários e os jovens da ala organizamos um passeio até a pedra mirante, e foi empolgante. O objetivo nosso deveria ser a "obra missionária", mas de fato a gente não estava nem aí. Queríamos mesmo conhecer a tal pedra e curtir um descanso.
Foi um passeio e tanto, e organizamos isso de novo, mas desta vez com os outros missionários, numa espécie de reunião especial, tudo isso a revelia do presidente da missão.
Sinto muito por não me lembrar dos nomes e não ter a uma exata precisão dos acontecimentos, por isso minha narração deste momento em diante é vaga.
Mas quando me mudei para Atibaia, havia entrado na missão, gente nova que acabei conhecendo por ocasião de uma de nossas idas ao escritório. E um dos missionários era lindo. Hoje meus gostos mudaram radicalmente e eu jamais me deixaria levar por aquele tipo de beleza, mas naquele momento algo nele me chamou atenção. Olhos claros, pele branca, alto e... simpático. Muito simpatico.
Quando organizamos nossa segunda excursão a pedra grande, ele estava lá.
Foi uma noite linda com lua cheia e céu limpo, estrelado. Nos deitamos na pedra mesmo, um usando o outro como travesseiro, e eu fiz do "lindão" o meu e quando pus minha mão para trás afim de apoiar minha cabeça ela tocou a traseiro dele. Eu havia dito que a vida em Atibaia fora tranqüila, mas não sem as fofocas. Bom este fato de eu ter tocado por acaso o traseiro do cara junto as fofocas virou uma bola de neve rolando a montanha abaixo, rolando e rolando até chegar ao escritório da missão.
Fui chamado para prestar esclarecimentos sobre o fato. Eu disse que não foi proposital, mas é mais fácil acusar do que defender. É irônico, que eu já havia aprontado algumas e bem no fim por algo que realmente não fiz tenha sido feito tanto estardalhaço.
O presidente me chamou e disse que não era problema se eu deixasse a missão num grupo antes do meu. Eu que já estava de saco cheio de tudo aquilo, aceitei.
Hoje acho que foi algo do tipo "vou me livrar dele logo". O presidente sabia de todas as fofocas, e de todas as conversinhas. Acho que antes que eu fizesse mais uma bobagem ele me livrou daquilo. Os membros da igreja já estavam falando demais.
Atibaia foi tranqüilo, simplesmente porque eu não ligava mais para o que falassem. Eu deixei para lá, tranqüilo porque eu escolhi que seria tranqüilo, mas lá moravam alguns dos mais nocivos humanos que conheci. Cheios de orgulho e peçonha, capazes de olhar para você com ternura e dizer que te amava com a doçura do mel, para logo adiante destilarem o mais fino e nobre dos venenos, degradando e destruindo sua imagem para aqueles que nem te conhecem ainda, enquanto sentavam por cima dos seu próprios rabos emporcalhados de suas próprias maledicências.
Então uma semana antes de completar dois anos, deixei a missão com todas as honras e louvores desafiando toda e qualquer expectativa daqueles que me enviaram para ela.
Voltei para minha cidade natal deixando para trás a missão, JF, e um monte de magóas, porém levando comigo ainda o fardo de não ser o que queriam que eu fosse.
quarta-feira, maio 05, 2010
:: Capitulo XXXI :: "O real peso da culpa"
Na missão eu tentei ser o mais feliz que podia com aquele trabalho de evangelização. O trabalho em si era cansativo e desgastante. Muita pressão com metas a cumprir, muitas reuniões, muita coisa ao mesmo tempo. Tudo para te manter ocupado, "para não haver tempo para pecar", diziam os líderes. Bom método... funcionava, mas confesso que caí nos erros banais. Fui rebelde, quebrei algumas das regras e até me masturbei. Mas quem não errou que atire a primeira bíblia.
E tinha meus desejos secretos, e nunca os externei. Ficava muito bem "na vontade" mas a maioria do tempo me ocupava. Eu era muito atípico na missão, fui irreverente na maioria dos casos, mas não ofensivo. Isso causava um certo desconforto em algum membros mais tradicionais.
Levei a vida de missionário com uma certa destreza. Sempre trabalhávamos em duplas, tive bons companheiros companheiros ruins e péssimos. Alguns visivelmente gays, mas isso era problemas deles, eu já tinha os meus.
Certa vez fomos todos dormir em uma casa só por conta de uma reunião que haveria de acontecer no próximo dia. Com a gente foi um jovem membro que na arrumação acabou por dormir ao meu lado no chão. De fato até hoje não sei o que ele foi fazer lá. Mas era jovem e se dava bem com os missionários, éramos a companhia ideal para este jovens aspirantes a missionários. Era normal que eles estivessem sempre conosco.
Durante a madrugada senti uma mão deslizando por dentro de minhas roupas. Até hoje meu coração bate mais forte ao relembrar isso. A mão daquele rapaz entrou dentro de minhas calças e alcançou meu penis rígido. Uma lágrima correu de meu olho fechado. Eu dizia em minha mente "NÃO", porém não tinha forças para para aquele movimento. O próximo golpe foi quando minha própria mão foi levada para dentro das calças dele. Não tenho motivos para mentir aqui, nem tão pouco me fazer de vitima. Isso foi fato, não assediei, fui assediado, meu erro foi não oferecer nenhuma resistência.
Quando minha mão tocou o membro dele enrijecido, senti que estava chegando ao orgasmo. Uma onda de pensamentos confusos invadiu minha cabeça. Orgasmo parece uma palavra boa, mas não com aquele peso de culpa. Queria que aquilo tivesse sido apenas um sonho molhado, uma polução noturna, comum entre os missionários, mas não foi. Um sentimento de tristeza tomou conta de mim.
Na manhã seguinte só me lembro do rosto semi encoberto do rapaz que me olhava como quem havia feito apenas mais uma molecagem. Para ele deveria ter sido algo interessante. Para mim foi a devastação da minha alma. Em cima de mim, a culpa por não ter sido mais forte. No fundo eu quis aquilo, busquei para mim esta situação. Eu mesmo sugeri que ele dormisse ao meu lado. Só não achei que isso seria levado a este extremo. O pesar era evidente em meu rosto. Eu não poderia falar com ninguém a respeito disso ou seria expulso da missão e voltaria envergonhado para casa, mais envergonhado ainda.
No ônibus a caminho da reunião, Brooke, de meus melhores amigos na missão, me perguntou com seu sotaque que tanto me fazia rir:
- Aconteceu algo, você está tão serio.
- Nada não...
Menti com um sorriso timido e fraco, como eu.
E tinha meus desejos secretos, e nunca os externei. Ficava muito bem "na vontade" mas a maioria do tempo me ocupava. Eu era muito atípico na missão, fui irreverente na maioria dos casos, mas não ofensivo. Isso causava um certo desconforto em algum membros mais tradicionais.
Levei a vida de missionário com uma certa destreza. Sempre trabalhávamos em duplas, tive bons companheiros companheiros ruins e péssimos. Alguns visivelmente gays, mas isso era problemas deles, eu já tinha os meus.
Certa vez fomos todos dormir em uma casa só por conta de uma reunião que haveria de acontecer no próximo dia. Com a gente foi um jovem membro que na arrumação acabou por dormir ao meu lado no chão. De fato até hoje não sei o que ele foi fazer lá. Mas era jovem e se dava bem com os missionários, éramos a companhia ideal para este jovens aspirantes a missionários. Era normal que eles estivessem sempre conosco.
Durante a madrugada senti uma mão deslizando por dentro de minhas roupas. Até hoje meu coração bate mais forte ao relembrar isso. A mão daquele rapaz entrou dentro de minhas calças e alcançou meu penis rígido. Uma lágrima correu de meu olho fechado. Eu dizia em minha mente "NÃO", porém não tinha forças para para aquele movimento. O próximo golpe foi quando minha própria mão foi levada para dentro das calças dele. Não tenho motivos para mentir aqui, nem tão pouco me fazer de vitima. Isso foi fato, não assediei, fui assediado, meu erro foi não oferecer nenhuma resistência.
Quando minha mão tocou o membro dele enrijecido, senti que estava chegando ao orgasmo. Uma onda de pensamentos confusos invadiu minha cabeça. Orgasmo parece uma palavra boa, mas não com aquele peso de culpa. Queria que aquilo tivesse sido apenas um sonho molhado, uma polução noturna, comum entre os missionários, mas não foi. Um sentimento de tristeza tomou conta de mim.
Na manhã seguinte só me lembro do rosto semi encoberto do rapaz que me olhava como quem havia feito apenas mais uma molecagem. Para ele deveria ter sido algo interessante. Para mim foi a devastação da minha alma. Em cima de mim, a culpa por não ter sido mais forte. No fundo eu quis aquilo, busquei para mim esta situação. Eu mesmo sugeri que ele dormisse ao meu lado. Só não achei que isso seria levado a este extremo. O pesar era evidente em meu rosto. Eu não poderia falar com ninguém a respeito disso ou seria expulso da missão e voltaria envergonhado para casa, mais envergonhado ainda.
No ônibus a caminho da reunião, Brooke, de meus melhores amigos na missão, me perguntou com seu sotaque que tanto me fazia rir:
- Aconteceu algo, você está tão serio.
- Nada não...
Menti com um sorriso timido e fraco, como eu.
:: Capitulo XXX :: "Para demonstrar valor..."
Estar na missão era um momento de paz, finalmente estava longe de vários problemas. F., falta de trabalho, falta de dinheiro. Estava mais uma vez escondido e seguro. foi o que pensei.
Depois de passar algumas semanas (poucas, acho que foi menos de um mês) em um Centro de Treinamento, minha mente estava já estava lavada, e eu pronto para espalhar a palavra do Senhor a todo canto. De fato no fundo sabia que espalhar a Boa Nova não era o objetivo principal, o ponto principal era "ganhar almas para Cristo" e este era um nome bonito para coisa toda. Não era nada ilícito, e já explico. O grande objetivo pro de trás de toda "verborragia" não era diferente de nenhuma outra igreja. Aumentar seu "rebanho". Sim só isso e, sejamos sinceros. Mais gente, mais dizimo, mais poder. Missionários treinados e determinados eram uma ferramenta poderosa para fazer este trabalho. Dispendiosa talvez, mas hoje não acho que o fosse realmente. Igreja já tinha experiência suficiente e não desperdiçava grana.
Como missionário fui até melhor do que muita gente esperava, até mesmo eu me surpreendi. No entanto podemos fugir de muitos problemas, mas quando o problema somos nós mesmo, não importa que você vá para o paraíso (e a missão não era isso definitivamente) o problema vai com você.
A idade média de um missionário é 23 anos. Éramos jovens, bonitos. alguns realmente lindos. Não poderíamos ter contato com mulheres neste tempo. Masturbação, nem pensar. Alguns missionários subiam literalmente pelas paredes. Era comum encontrar colchões manchados pela poluções noturnas. E claro que haviam muitos saindo da linha. Mocinhas apaixonadas pelos meninos ideais, sempre limpos, sempre bem arrumados, sempre muito educados... qualquer um se apaixonaria. Não quero me deter a quem foi certo ou quem foi errado durante a missão. Mas só queria deixar claro que éramos todos humanos, uns mais esforçado outros menos, mas hoje não acho que nenhum deles seja culpado de nada.
Depois de passar algumas semanas (poucas, acho que foi menos de um mês) em um Centro de Treinamento, minha mente estava já estava lavada, e eu pronto para espalhar a palavra do Senhor a todo canto. De fato no fundo sabia que espalhar a Boa Nova não era o objetivo principal, o ponto principal era "ganhar almas para Cristo" e este era um nome bonito para coisa toda. Não era nada ilícito, e já explico. O grande objetivo pro de trás de toda "verborragia" não era diferente de nenhuma outra igreja. Aumentar seu "rebanho". Sim só isso e, sejamos sinceros. Mais gente, mais dizimo, mais poder. Missionários treinados e determinados eram uma ferramenta poderosa para fazer este trabalho. Dispendiosa talvez, mas hoje não acho que o fosse realmente. Igreja já tinha experiência suficiente e não desperdiçava grana.
Como missionário fui até melhor do que muita gente esperava, até mesmo eu me surpreendi. No entanto podemos fugir de muitos problemas, mas quando o problema somos nós mesmo, não importa que você vá para o paraíso (e a missão não era isso definitivamente) o problema vai com você.
A idade média de um missionário é 23 anos. Éramos jovens, bonitos. alguns realmente lindos. Não poderíamos ter contato com mulheres neste tempo. Masturbação, nem pensar. Alguns missionários subiam literalmente pelas paredes. Era comum encontrar colchões manchados pela poluções noturnas. E claro que haviam muitos saindo da linha. Mocinhas apaixonadas pelos meninos ideais, sempre limpos, sempre bem arrumados, sempre muito educados... qualquer um se apaixonaria. Não quero me deter a quem foi certo ou quem foi errado durante a missão. Mas só queria deixar claro que éramos todos humanos, uns mais esforçado outros menos, mas hoje não acho que nenhum deles seja culpado de nada.
quinta-feira, abril 23, 2009
:: Capitulo XXIX :: "..Você não irá a lugar nenhum..."
Depois de ter me recuperado da doença, eu estava sem opções. Ainda apaixonado por F. a quem não poderia ver como antes, comecei a juntar a documentação necessária para me tornar um missionário.
Esta decisão pode ter até aparentado algo nobre na visão dos irmãos que me conheciam. Mas para mim era uma maneira de fugir do inferno que minha vida estava se tornando, ao mesmo tempo, ficar perto de F. só mais um pouco.
Mesmo com todas as dificuldades e conflitos pessoais, os rapazes da igreja viam em mim um tipo de lider onde poderiam depositar sua confiança.
Num fim de semana eles se ajuntaram para sair. A idéia inicial era dar uma volta pela cidade a noite e voltar para casa. Mas os jovens queriam ficar na noite e entrar numa das boates. Eu disse que não iria entrar lá. Eu já tinha problemas demais, não queria ficar com esta marca. Falei com o filho de um dos líderes que nos acompanhava esta noite para ligar para o pai dele, se este assim o consentisse poderíamos entrar, caso contrário, voltaríamos para casa. Hoje penso que seria melhor se tivássemos entrado, porque este lider ordenou que voltassemos para casa dele e
chegando lá, fui acusado de corrupção de menores. Tentei explicar que eu estava lá com os rapazes justamente para que eles não se metessem em nenhuma confusão. Foi como falar com uma porta.
Este lider, pai de um dos menores era um dos responsáveis diretamente para assinar os papeis que me autorizavam ser enviado como missionário. Ele pegou toda documetação que já estava em poder dele e jogou em cima da cama, dizendo que por ele eu não iria em lugar nenhum. Que eu era uma vergonha e coisas do tipo.
Como era tarde e eu não tinha para onde ir, ele me deixou dormir naquela noite ali, mas avisou que eu teria que partir no dia seguinte.
O Grande ponto desta história foi que o filho deste lider, foi para casa da vó, não quis enfretar a ira de seu pai.
Comigo estava um dos rapazes que não tinha nada haver com toda esta confusão, mas no fim dos discursos inflamados do lider, me abraçou e disse " Calma, o que tiver de ser será..."
Fui dormir chorando, porque além de ter sido humilhado, estava vendominha chance de me redimir com Deus escapando.
No dia seguinte, levantei arrumei as poucas coisas que eu tinha.
Ele estava na copa, assim que passei, ele me ofereceu comida, pão e leite. Não me lembro de recusei ou aceitei, mas pedi para dar um telefonema. Liguei para Paulo, um homem bom a quem devo muito. Ele também era um lider da igreja, e me disse eu fosse para casa dele.
Lá chegando eu contei o acontecido e ele me explicou que o lider da Missão da area de JF estaria a capela naquela semana pela manhã. Ele me colocaria de frente com este lider e eu poderia conversar com ele.
Assim foi feito e meu documentos foram enviados para os escritórios da igreja passando por cima dos líderes locais através deste Lider da Missão, em pouco tempo meu chamado para missão estava retornando. Enfim eu seria um missionário.
Na semana que meu chamado chegou eu fui até a capela do centro da cidade de JF, e estava recebendo parabéns de varios irmãos por ter sido aceito na missão, existia um certo clima de felicidade, muito comum quando alguém é chamado para missão. O Lider local, aquele que quase me impediu de ir, chegou até mim sorrindo e disse " Irmão venha até minha sala para conversamos..." .
Ele se dirigiu a sala dele. Esperei um tempo, propositalmente e depois fui até a sala onde ele me esperava. Ao entrar, notei que não havia mais o sorriso natural de antes, mas um sorriso dissimulado, na verdade uma mascara mal feita paar esconder a frustração que se confirmou com as suas palavras.
Ele me estendeu a mão e disse:
- Parabéns irmão... você conseguiu.
Apertei a sua mão e disse "obrigado" , dei as costas e saí.
Deve ter sido muito confuso para ele.
Para mim, não posso esconder que tive uma certa satisfação.
Eu nunca mais estive com este homem. Nunca mais o vi. Não tenho memoria dele depois disso.
Quando embarquei no onibus para São Paulo indo para missão, era noite.
Poucas pessoas foram na rodoviária se despedir.
Paulo, F., Augusto, Mãezinha... e mais alguns poucos.
Acho que foi bom assim.
As que foram lá, eram meu amigos de verdade.
quarta-feira, maio 30, 2007
:: Capitulo XXVIII :: "Você esta morrendo..."
Desempregado em quase sem dinheiro, beirando mesmo a miséria, depois de muitos jejuns, me decidi a ser também um missionário. Eu poderia voltar para Campos e então partir para missão de lá. Mas a verdade era que eu não queria me afastar de F., e não era só isso, havia criado um vinculo de amigos muito bons dos quais eu gostava muito, enfim, fiquei apegado as pessoas. Amor é uma evolução, apego é um atraso.
Passei a fazer pequenos serviços para algumas pessoas para levantar fundos e ir para missão. Decisão que foi comemorada por muitas pessoas. Eu até sinto muito em dizer isso, mas eu não tinha mais nada melhor para fazer. Ser missionário me daria algum sustento, me afastaria de F. mas não tão de imediato.
Nas tentativas de arrumar dinheiro e exames, havia um exame mais caro. Uma barreira e deveria ser solucionada por mim. Antes de ir para missão eu deveria fazer uma revisão nos meus dentes. Caro e dificil. Minha boca não era uma coisa exemplar, e não tinha nenhum irmão disposto a judar, ou pelo menos não que eu soubesse.
Era época de eleições, e um candidato a não-sei-que-cargo precisava pintar umas faixas com o nome dele. Eu havia aprendido a pintar letreiros enquanto trabalhei no Cine Central, pois havia uma equipe que fazia isso pintando placas para o anuncio dos filmes em cartaz.
Eu me ofereci para pintar as tais faixas, muitas, nem me lembro quantas, em troca de um exame em meus dentes, para que eu pudesse ir para missão.
Pintei as faixa e fui levado para o dentista pelo tal candidato, que era até uma pessoa boa.
Meus dentes precisavam muito mais doque uma simples profilaxia, tratamentos de cáries. Haviam dentes que precisavam de tratamento de canal... um serviço caro e demorado ou tinhamos a opção de extração.
Extraí um dente (oque estava em estado mais grave).
Porém por descuido meu, acredito, tive uma hemorragia, e não procurei um hospital ou coisa parecida. Sangrei bastante, até que coloquei agua oxigenada e bicarbonato para tentar estancar o sangue, além de um algodão.
Consegui deter o sangramento, mas a falta de cuidado causou uma infecção. Achei que aquilo era normal, afinal havia extraído um dente, mas a infecção tomou porporções grandes e em poucos dias eu tinha toda a região sublingual e garganta inchadas, e não parava de inchar.
Tomado por uma febre alta fui as ruas em busca de ajuda, bati na casa de um irmão que me atendeu na porta com cara de espanto, mas não me ajudou, não sei dizer o quanto de tempo fiquei perambulando pela rua, mas sei que o pai de F. me mandou até uns médicos que ele conhecia.
Fui até o endereço sozinho caminhando pelas ruas de JF. No consutório, com todo pescoço inchado, queimando de febre fui atendido por um médico que olhou minha boca, e depois chamou uma médica só para ter certeza do diagnóstico.
Ele escreveu um papel, e mamandou para um doutor que atendia do lado de um faculdade de JF que ficava a alguns quarteirões dali.
Mandou-me para lá imediatamente. Chagando lá, perdi a noção do tempo que esperei para ser atendido, portanto não posso afirmar se foi demorado ou não, mas para mim que já estava respirando com dificuldades, febre e dor, parecia uma enternidade. Finalmente entrei no consultorio. O médico pegou o papel que os outros dois primeiro médicos me deram , oque parecia ser apenas uma indicação para que ele me atendesse. Como um bilhete, não sei oconteúdo, não li.
O médico guardou o papel, abriu minha boca com cuidado.
Virou-se para sua mesa, começou a rabiscar uma receita, tornou a virar-se para mim, e disse em tom monocórdio, de um jeito que até hoje me assusta a lembrança.
"- Pegue este papel e vá agora para Santa Casa, você está morrendo."
Pequei a receita e saí do consultório, rogando a Deus em meu coração e mente que não me deixasse morrer alí sozinho na rua. Eu estava sem meus documentos, não seria nem reconhecido. Subindo a rua que dava acesso a avenida que me levaria a Santa Casa senti-me enfraquecendo a cada passo. Meu olhos se encheram de lágrimas e por minha garganta infeccionada e obstruída subiu um choro de angustia.
Cheguei a rececpção da Santa Casa onde mostrei a papel. A mulher me olhou com uma cara de espanto, reação natural de quem me via, não havia mais um pescoço em mim, mais sim uma grande papada, que nada tinha haver com o magro corpo que os jejuns semanais e a propria condição haviam me imposto.
Mais uma vez não sei quanto tempo esperei, consegui um cartão telefônico com poucas unidades que usei para ligar para única pessoa que poderia me ajudar. A mãe de José Agusto. As únicas palavra que consegui dizer foram " Mãezinha, estou na Santa Casa, estou morrendo, por favor me ajude..."
Voltei a sala de espera, acho que desmaiei. Só me lembro sendo amparado por alguém no elevador já sendo levado para um leito. Quando a porta do elvador se abriu, ouvi a voz de alguém dizer "Aí ele aí", tudo ficou escuro... eu perdi as forças, quando fui erguido, amparado, vi que quem foi ao hospital foi a mãe de F.. Mãezinha não pode ir, mas telefonou para a mãe de F. para que que fosse lá.
Ela ficou até quando eu já estava em uma cama, e depois se foi. Ela não poderia ficar.
Até o médico chegar eu pedi várias vezes as enfermeiras que me ajudassem, sempre dizia, "eu estou morrendo"... as enfermeira me deram alguns remédios para aliviar a dor e a febre.
Até quando o médico que havia me mandado para lá, chegou.
Ele me explicou que eu estava com uma infecção chamada Angina de Ludwig.
Fiquei 4 dias internado. Fui visitado pelos irmãos da igreja... minha mãe só soube alguns anos depois. Minha tia, onde morei em JF, nunca teve conhecimento total desta história.

Este na foto não sou eu, é uma imagem de um paciente com Angina de Ludwig para que se tenha uma idéia de como eu fiquei e sim, Angina e Ludwig é grave e pode levar ao óbito.
Passei a fazer pequenos serviços para algumas pessoas para levantar fundos e ir para missão. Decisão que foi comemorada por muitas pessoas. Eu até sinto muito em dizer isso, mas eu não tinha mais nada melhor para fazer. Ser missionário me daria algum sustento, me afastaria de F. mas não tão de imediato.
Nas tentativas de arrumar dinheiro e exames, havia um exame mais caro. Uma barreira e deveria ser solucionada por mim. Antes de ir para missão eu deveria fazer uma revisão nos meus dentes. Caro e dificil. Minha boca não era uma coisa exemplar, e não tinha nenhum irmão disposto a judar, ou pelo menos não que eu soubesse.
Era época de eleições, e um candidato a não-sei-que-cargo precisava pintar umas faixas com o nome dele. Eu havia aprendido a pintar letreiros enquanto trabalhei no Cine Central, pois havia uma equipe que fazia isso pintando placas para o anuncio dos filmes em cartaz.
Eu me ofereci para pintar as tais faixas, muitas, nem me lembro quantas, em troca de um exame em meus dentes, para que eu pudesse ir para missão.
Pintei as faixa e fui levado para o dentista pelo tal candidato, que era até uma pessoa boa.
Meus dentes precisavam muito mais doque uma simples profilaxia, tratamentos de cáries. Haviam dentes que precisavam de tratamento de canal... um serviço caro e demorado ou tinhamos a opção de extração.
Extraí um dente (oque estava em estado mais grave).
Porém por descuido meu, acredito, tive uma hemorragia, e não procurei um hospital ou coisa parecida. Sangrei bastante, até que coloquei agua oxigenada e bicarbonato para tentar estancar o sangue, além de um algodão.
Consegui deter o sangramento, mas a falta de cuidado causou uma infecção. Achei que aquilo era normal, afinal havia extraído um dente, mas a infecção tomou porporções grandes e em poucos dias eu tinha toda a região sublingual e garganta inchadas, e não parava de inchar.
Tomado por uma febre alta fui as ruas em busca de ajuda, bati na casa de um irmão que me atendeu na porta com cara de espanto, mas não me ajudou, não sei dizer o quanto de tempo fiquei perambulando pela rua, mas sei que o pai de F. me mandou até uns médicos que ele conhecia.
Fui até o endereço sozinho caminhando pelas ruas de JF. No consutório, com todo pescoço inchado, queimando de febre fui atendido por um médico que olhou minha boca, e depois chamou uma médica só para ter certeza do diagnóstico.
Ele escreveu um papel, e mamandou para um doutor que atendia do lado de um faculdade de JF que ficava a alguns quarteirões dali.
Mandou-me para lá imediatamente. Chagando lá, perdi a noção do tempo que esperei para ser atendido, portanto não posso afirmar se foi demorado ou não, mas para mim que já estava respirando com dificuldades, febre e dor, parecia uma enternidade. Finalmente entrei no consultorio. O médico pegou o papel que os outros dois primeiro médicos me deram , oque parecia ser apenas uma indicação para que ele me atendesse. Como um bilhete, não sei oconteúdo, não li.
O médico guardou o papel, abriu minha boca com cuidado.
Virou-se para sua mesa, começou a rabiscar uma receita, tornou a virar-se para mim, e disse em tom monocórdio, de um jeito que até hoje me assusta a lembrança.
"- Pegue este papel e vá agora para Santa Casa, você está morrendo."
Pequei a receita e saí do consultório, rogando a Deus em meu coração e mente que não me deixasse morrer alí sozinho na rua. Eu estava sem meus documentos, não seria nem reconhecido. Subindo a rua que dava acesso a avenida que me levaria a Santa Casa senti-me enfraquecendo a cada passo. Meu olhos se encheram de lágrimas e por minha garganta infeccionada e obstruída subiu um choro de angustia.
Cheguei a rececpção da Santa Casa onde mostrei a papel. A mulher me olhou com uma cara de espanto, reação natural de quem me via, não havia mais um pescoço em mim, mais sim uma grande papada, que nada tinha haver com o magro corpo que os jejuns semanais e a propria condição haviam me imposto.
Mais uma vez não sei quanto tempo esperei, consegui um cartão telefônico com poucas unidades que usei para ligar para única pessoa que poderia me ajudar. A mãe de José Agusto. As únicas palavra que consegui dizer foram " Mãezinha, estou na Santa Casa, estou morrendo, por favor me ajude..."
Voltei a sala de espera, acho que desmaiei. Só me lembro sendo amparado por alguém no elevador já sendo levado para um leito. Quando a porta do elvador se abriu, ouvi a voz de alguém dizer "Aí ele aí", tudo ficou escuro... eu perdi as forças, quando fui erguido, amparado, vi que quem foi ao hospital foi a mãe de F.. Mãezinha não pode ir, mas telefonou para a mãe de F. para que que fosse lá.
Ela ficou até quando eu já estava em uma cama, e depois se foi. Ela não poderia ficar.
Até o médico chegar eu pedi várias vezes as enfermeiras que me ajudassem, sempre dizia, "eu estou morrendo"... as enfermeira me deram alguns remédios para aliviar a dor e a febre.
Até quando o médico que havia me mandado para lá, chegou.
Ele me explicou que eu estava com uma infecção chamada Angina de Ludwig.
Fiquei 4 dias internado. Fui visitado pelos irmãos da igreja... minha mãe só soube alguns anos depois. Minha tia, onde morei em JF, nunca teve conhecimento total desta história.

Este na foto não sou eu, é uma imagem de um paciente com Angina de Ludwig para que se tenha uma idéia de como eu fiquei e sim, Angina e Ludwig é grave e pode levar ao óbito.
:: Capitulo XXVII :: Esquecido.
No dia em que contei ao líder da Igreja que havia trocado carícias com o um jovem da igreja, fui afastado de todos os cargos que possuía. Isso era óbivio, eu não era mais digno de fazer alguma coisa na instituição, havia transgredido as regras. Consciente disto, abri meu coração, e me confessei.
Como já relatei, tive que me afastar de F., oque me causou muita dor.
Porém uma outra dor me seria causada mais tarde.
Por ordem do líder eu deveria jejuar toda semana durante todo meu período probatório, afim de "controlar meus apetites e minhas paixões" . Não sei se citei isso ainda, mas a Igreja era algo muito forte em minha vida. Eu queria desesperadamente ser alguém "normal". Eu não queria sentir oque eu sentia, havia falhado fatalmente. Seguir as ordens que me foram dadas cegamente era minha maneira de auto flagelação, embora esta prática não seja doutrina da igreja, foi praticamente o que fiz, tamanha era o peso da culpa que sentia.
Passei a jejuar, conforme "aconselhado" uma vez por semana. Toda semana então me abstive de qualquer alimento sólido ou líquido, inclusive água por 24 horas. Dentro da igreja, durante as reuniões, permanecia calado, mal encarava as pessoas, tinha um sentimento estranho de que todos sabiam o que eu fiz, estava enganado, mas não tive nenhum acompanhamento do líder, e cada vez mais me sentia inferior a todos ali. Então decidi que não era mais digno de orar de joelhos em casa, e sempre o fazia deitado com a cara no chão. Por algumas vezes, enfraquecido pelos jejuns semanais, cansado do trabalho que algumas vezes ia até tarde da noite, adormeci durante minhas orações deitado no chão mesmo.
Como o líder não mais me chamou para conversar (hoje eu sei que foi negligência dele como líder que não me acompanhou) , permaneci neste estado de auto-flagelo, buscando a paz interior até que um dia, informalmente durante uma atividade na igreja onde meu líder jogava uma partida de futebol, me aproximei, e com muita vergonha perguntei:
"- Já faz alguns meses que estou fazendo o que me pediu, jejuando toda semana...até quando terei que faze-lo?"
Um sorrisinho amarelado surgiu no canto da boca do líder quando ele me respondeu com ar muito natural, de quem conta uma piada...
"-Sabe irmão que eu já havia me esquecido de você..."
Esta é uma ferida que guardo na alma até hoje.
Como já relatei, tive que me afastar de F., oque me causou muita dor.
Porém uma outra dor me seria causada mais tarde.
Por ordem do líder eu deveria jejuar toda semana durante todo meu período probatório, afim de "controlar meus apetites e minhas paixões" . Não sei se citei isso ainda, mas a Igreja era algo muito forte em minha vida. Eu queria desesperadamente ser alguém "normal". Eu não queria sentir oque eu sentia, havia falhado fatalmente. Seguir as ordens que me foram dadas cegamente era minha maneira de auto flagelação, embora esta prática não seja doutrina da igreja, foi praticamente o que fiz, tamanha era o peso da culpa que sentia.
Passei a jejuar, conforme "aconselhado" uma vez por semana. Toda semana então me abstive de qualquer alimento sólido ou líquido, inclusive água por 24 horas. Dentro da igreja, durante as reuniões, permanecia calado, mal encarava as pessoas, tinha um sentimento estranho de que todos sabiam o que eu fiz, estava enganado, mas não tive nenhum acompanhamento do líder, e cada vez mais me sentia inferior a todos ali. Então decidi que não era mais digno de orar de joelhos em casa, e sempre o fazia deitado com a cara no chão. Por algumas vezes, enfraquecido pelos jejuns semanais, cansado do trabalho que algumas vezes ia até tarde da noite, adormeci durante minhas orações deitado no chão mesmo.
Como o líder não mais me chamou para conversar (hoje eu sei que foi negligência dele como líder que não me acompanhou) , permaneci neste estado de auto-flagelo, buscando a paz interior até que um dia, informalmente durante uma atividade na igreja onde meu líder jogava uma partida de futebol, me aproximei, e com muita vergonha perguntei:
"- Já faz alguns meses que estou fazendo o que me pediu, jejuando toda semana...até quando terei que faze-lo?"
Um sorrisinho amarelado surgiu no canto da boca do líder quando ele me respondeu com ar muito natural, de quem conta uma piada...
"-Sabe irmão que eu já havia me esquecido de você..."
Esta é uma ferida que guardo na alma até hoje.
quinta-feira, maio 18, 2006
:: Capitulo XXVI :: Sopa na noite.
Naquela noite quando cheguei na república foi como chegar numa cela com prisioneiros demais. Havia rapazes espalhados pelo chão, dormindo, alguns enrrolados em seus cobertores domiam em contato direto com o chão. A maioria deles eu não conhecia.
Perguntei de onde eram, e alguém me explicou que estava havendo um tipo de seleção na cidade para trabalharem na fabrica de tecidos e eles eram conhecido de um ou outro rapaz da república
A gente tava com fome. Ninguém havia comido nada.
Ronaldo abriu a geladeira e encontrou um talo de repolho, molho inglês e na lata de mantimentos havia algo como meio como de arroz. Cozinhamos tudo isso e fizemos uma sopa, que dividimos com todos naquela noite.
É interessante como a fome deixa qualquer comida gostosa.
Perguntei de onde eram, e alguém me explicou que estava havendo um tipo de seleção na cidade para trabalharem na fabrica de tecidos e eles eram conhecido de um ou outro rapaz da república
A gente tava com fome. Ninguém havia comido nada.
Ronaldo abriu a geladeira e encontrou um talo de repolho, molho inglês e na lata de mantimentos havia algo como meio como de arroz. Cozinhamos tudo isso e fizemos uma sopa, que dividimos com todos naquela noite.
É interessante como a fome deixa qualquer comida gostosa.
:: Capitulo XXV :: Cão sem dono.
Quando minha tia me mandou embora eu logo consegui alugar um lugar para morar junto com outro membro que mal aparecia lá. No entanto ele tinha moveis de quarto e eu só tinha um som. Minha mãe vei e me trouxe entre alguns utencílios de cozinha um carderno com receitas simples. Mas não deu certo morar com aquele rapaz, e a convite de uma familia da igreja eu fui morar na casa deles. num quartinho bem pequeno.
Eu dormia no chão. Quando o inverno apertou, forrei com jornais debaixo do colchão para ter um melhor isolamento.
Pouco antes do fim do contrato de estágio, a familia s mudou para o amazonas e então eu fui para uma república ( uma casa alugada por repazes) onde morava um outro irmão... depois essa república se dividiu em dois... foi ali que morei até ficar desempregado.
Deve ter sido o período onde passei mais dificuldades, pois não havia oque comer, e nunca tinha dinheiro suficiente para nada. Com frequencia eu pegava emprestada a bicicleta de meu primo para me locomover de um lugar para outro. Mas era tão tão difcil, pedalar com fome num lugar onde só tem morro.
Eu não tinha dinheiro para cortar o cabelo, e nem para comprar um barbeador, estava ficando com a aparencia de um mendigo, mas isso era o de menos...
Então surgiu um emprego, era para trabalhar como dedetizador com um dos membros.
O lider da igreja coçou o queixo, mas não me falou nada específico.
Em resumo, o cara é um enrrolado, não me pagava, fui vivendo de algumas economias que tinha no banco, era bem pouco, mas dava para tocar o barco.
Em busca de comida, cada dia eu ia para casa de um amigo, ou de alguém conhecido na esperança de filar algum rango. Eu nem sentia fome mais...estava fraco.
Mesmo não sendo pago , não tendo horário, trabalhar como dedetizador tinha seus momentos de conpensação. Um noite eu fui dedetizar uma padaria.
Essas eram as melhores. Quando entrei na padaria, disse a todos que não fossem lá, não entranssem até que eu disse que poderia. Tinha um tacho de brigadeiro sujo em cima da pia. Jantei brigadeiro.
mas chegou um momento que eu não poderia mais ficar naquele emprego. Quase todas as noites eu tinha que ir fazer dedetizações e ainda tinha que acordar no dia seguinte cedo. Eu estava magro, e logo ficaria doente de andar para casa na madrugada fria de JF.
No fim do mês não houve pagamento. Desisti.
Acordei e fui até a cidade.
Ele havia alugado uma saleta num predio velho, destes cujo o piso de madeira fazem um barulho oco quando se anda. Tomei o elevador antiguissimo, com portas de grade... "segui para o escritório".
- Eu não quero trabalhar mais com você... eu disse vacilante.
A cena seguinte foi deprimente. O homem fez um escandalo tão grande, ensaiou um choro, ajoelhou, implorou... tudo muito disimulado... infelizmente aquela era a unica maneira que eu tive para receber os atrasados. Ele ainda me enrrolou muito... mas me pagou.
Eu dormia no chão. Quando o inverno apertou, forrei com jornais debaixo do colchão para ter um melhor isolamento.
Pouco antes do fim do contrato de estágio, a familia s mudou para o amazonas e então eu fui para uma república ( uma casa alugada por repazes) onde morava um outro irmão... depois essa república se dividiu em dois... foi ali que morei até ficar desempregado.
Deve ter sido o período onde passei mais dificuldades, pois não havia oque comer, e nunca tinha dinheiro suficiente para nada. Com frequencia eu pegava emprestada a bicicleta de meu primo para me locomover de um lugar para outro. Mas era tão tão difcil, pedalar com fome num lugar onde só tem morro.
Eu não tinha dinheiro para cortar o cabelo, e nem para comprar um barbeador, estava ficando com a aparencia de um mendigo, mas isso era o de menos...
Então surgiu um emprego, era para trabalhar como dedetizador com um dos membros.
O lider da igreja coçou o queixo, mas não me falou nada específico.
Em resumo, o cara é um enrrolado, não me pagava, fui vivendo de algumas economias que tinha no banco, era bem pouco, mas dava para tocar o barco.
Em busca de comida, cada dia eu ia para casa de um amigo, ou de alguém conhecido na esperança de filar algum rango. Eu nem sentia fome mais...estava fraco.
Mesmo não sendo pago , não tendo horário, trabalhar como dedetizador tinha seus momentos de conpensação. Um noite eu fui dedetizar uma padaria.
Essas eram as melhores. Quando entrei na padaria, disse a todos que não fossem lá, não entranssem até que eu disse que poderia. Tinha um tacho de brigadeiro sujo em cima da pia. Jantei brigadeiro.
mas chegou um momento que eu não poderia mais ficar naquele emprego. Quase todas as noites eu tinha que ir fazer dedetizações e ainda tinha que acordar no dia seguinte cedo. Eu estava magro, e logo ficaria doente de andar para casa na madrugada fria de JF.
No fim do mês não houve pagamento. Desisti.
Acordei e fui até a cidade.
Ele havia alugado uma saleta num predio velho, destes cujo o piso de madeira fazem um barulho oco quando se anda. Tomei o elevador antiguissimo, com portas de grade... "segui para o escritório".
- Eu não quero trabalhar mais com você... eu disse vacilante.
A cena seguinte foi deprimente. O homem fez um escandalo tão grande, ensaiou um choro, ajoelhou, implorou... tudo muito disimulado... infelizmente aquela era a unica maneira que eu tive para receber os atrasados. Ele ainda me enrrolou muito... mas me pagou.
quarta-feira, maio 17, 2006
:: Capitulo XXIV :: O Gerente - parte II
Eu sabia que o gerente não iria me deixar quieto por muito tempo.
Um dia, fui falar com uma das mulheres que trabalhavam no caixa e ela começou a gritar comigo, fiquei atônito... não sabia o porque de tanto mal humor, o certo era, eu estava na reta...
Assim me relacionamento naquele trabalho foi deteriorando. Fofocas e isolamento. Cada dia que se passava eu me encontrava mais e mais sozinho naquela porta de cinema. Os dias eram sem fim.
Um noite o gerente como de costume levou o jorginho para o acerto dos caixas, logo depois Jorginho desceu e me disse que o grente queria falar comigo. De fato o proprio veio logo atrás e disse para que eu o seguisse. Era a ultima seção, minha portaria já estava fechada. Segui-o por uma escada que subia para os antigos balcões do velho cine-teatro. Um corrimão que mesmo no escuro da sala de projeção, reparei que era todo entalhado. Depois seguimo por um corredor que ia por cima se extendendo por todo lado esquerdo da sala, como um marquise, enquanto andava, contemplei todo gigantismo do prédio, suas paredes e teto pintados, todo estilo clássico. Em algum dia no passado, aquele predio decadente e sujo, tomado por teia e poeira deve ter sido muito lindo, um luxo da época... me perdi por alguns instantes nos meus pensamentos. Eu nunca tinha passado por ali. Chegamos e uma saleta. Uma grande mesa com uma cadeira bonita. Ele se sentou e eu permaneci de pé.
Ele começou um discurso euforico sobre como ele era fiel aos Bonato (nota: os Bontato eram os irmão que eram donos da companhia que gerenciava todas as sala de cinema de JF), e de como ele tinha chegado aquele magnifico posto de gerente do Cine Central... e sobre sua autoridade e bla bla bla... eu não estava entendendo nada, me limitei a responder "Sim senhor"da maneira mais polida e educada que podia afim que lha acalmar os nervos. Ledo engano. Aquilo o tornou mais furioso... explico. Ele disse que quando queria "sacanear" seu professor respondia da mesma maneira. Em outras palavras, ele achou que eu estava sendo debochado, no entanto acho que ele se cansou e parou. Virei as costas e voltei para portaria. Fiquei com raiva do gerente.
No dia seguinte , um bebado cruzou a porta do cinema. Ele se virou para uma das caixas e disse "Mais um cliente para o porteiro...", se referindo ao fato dos bebados que vomitam e que eu deveria ir limpar.
No fim daquele expediente, o supervisor geral , era um senhor de cabelos brancos, com ares de avarento, seu Waltencir, veio até o Cine Central pegar alguns documentos. Fui até ele e disse que eu estava sendo desviado de minhas funções de porteiro para ficar limpando, mais especificamente "lipando vomitos dos bebados que frequantavam o cinema". Ele era a unica pessoa que poderia fazer alguma coisa por mim...mas não fez.
No dia seguinte, pedi minha demissão.
Alguns meses depois saindo com amigos encontrei com o gerente no ponto de onibus. É claro só olhei de longe, e ele me viu com ceteza. Estava serio, sozinho, cabelos diferentes.
Posteriormente fiquei sabendo que logo depois de mim ele também havia sido demitido e que Jorginho, um funcionário tão fiel, foi junto. Soube também que o gerente, que tinha tido um filho recentemente, do qual se gabava muito, dizendo pelo hall do Cine Central, que ele seu seu "principecizinho" tinha se separado.
A esposa dele descobrira que ele era homossexual.
Supresos ?
Eu não.
Nota: Em 1996 O Cine Teatro Central em Juiz de Fora foi reinalgurado, totalmente restaurado e tombado pelo patrimônio histórico cultural, agora é administrado pela reitoria da UFJF. Neste site aqui encontrei fotos do prédio restaurado que muito me emocionaram, pois sempre foi desta maneira que eu eu o queria ver.
Um dia, fui falar com uma das mulheres que trabalhavam no caixa e ela começou a gritar comigo, fiquei atônito... não sabia o porque de tanto mal humor, o certo era, eu estava na reta...
Assim me relacionamento naquele trabalho foi deteriorando. Fofocas e isolamento. Cada dia que se passava eu me encontrava mais e mais sozinho naquela porta de cinema. Os dias eram sem fim.
Um noite o gerente como de costume levou o jorginho para o acerto dos caixas, logo depois Jorginho desceu e me disse que o grente queria falar comigo. De fato o proprio veio logo atrás e disse para que eu o seguisse. Era a ultima seção, minha portaria já estava fechada. Segui-o por uma escada que subia para os antigos balcões do velho cine-teatro. Um corrimão que mesmo no escuro da sala de projeção, reparei que era todo entalhado. Depois seguimo por um corredor que ia por cima se extendendo por todo lado esquerdo da sala, como um marquise, enquanto andava, contemplei todo gigantismo do prédio, suas paredes e teto pintados, todo estilo clássico. Em algum dia no passado, aquele predio decadente e sujo, tomado por teia e poeira deve ter sido muito lindo, um luxo da época... me perdi por alguns instantes nos meus pensamentos. Eu nunca tinha passado por ali. Chegamos e uma saleta. Uma grande mesa com uma cadeira bonita. Ele se sentou e eu permaneci de pé.
Ele começou um discurso euforico sobre como ele era fiel aos Bonato (nota: os Bontato eram os irmão que eram donos da companhia que gerenciava todas as sala de cinema de JF), e de como ele tinha chegado aquele magnifico posto de gerente do Cine Central... e sobre sua autoridade e bla bla bla... eu não estava entendendo nada, me limitei a responder "Sim senhor"da maneira mais polida e educada que podia afim que lha acalmar os nervos. Ledo engano. Aquilo o tornou mais furioso... explico. Ele disse que quando queria "sacanear" seu professor respondia da mesma maneira. Em outras palavras, ele achou que eu estava sendo debochado, no entanto acho que ele se cansou e parou. Virei as costas e voltei para portaria. Fiquei com raiva do gerente.
No dia seguinte , um bebado cruzou a porta do cinema. Ele se virou para uma das caixas e disse "Mais um cliente para o porteiro...", se referindo ao fato dos bebados que vomitam e que eu deveria ir limpar.
No fim daquele expediente, o supervisor geral , era um senhor de cabelos brancos, com ares de avarento, seu Waltencir, veio até o Cine Central pegar alguns documentos. Fui até ele e disse que eu estava sendo desviado de minhas funções de porteiro para ficar limpando, mais especificamente "lipando vomitos dos bebados que frequantavam o cinema". Ele era a unica pessoa que poderia fazer alguma coisa por mim...mas não fez.
No dia seguinte, pedi minha demissão.
Alguns meses depois saindo com amigos encontrei com o gerente no ponto de onibus. É claro só olhei de longe, e ele me viu com ceteza. Estava serio, sozinho, cabelos diferentes.
Posteriormente fiquei sabendo que logo depois de mim ele também havia sido demitido e que Jorginho, um funcionário tão fiel, foi junto. Soube também que o gerente, que tinha tido um filho recentemente, do qual se gabava muito, dizendo pelo hall do Cine Central, que ele seu seu "principecizinho" tinha se separado.
A esposa dele descobrira que ele era homossexual.
Supresos ?
Eu não.
Nota: Em 1996 O Cine Teatro Central em Juiz de Fora foi reinalgurado, totalmente restaurado e tombado pelo patrimônio histórico cultural, agora é administrado pela reitoria da UFJF. Neste site aqui encontrei fotos do prédio restaurado que muito me emocionaram, pois sempre foi desta maneira que eu eu o queria ver.
Assinar:
Postagens (Atom)