quarta-feira, novembro 23, 2005

:: Capitulo XVIII :: "Pegue suas coisas e vá...."

Enquanto me envolvia mais e mais com F. minha vida na fria JF foi se tornando um seriado de problemas. A começar pela pressão que os lideres faziam para convencer-me de que eu deveria sair em missão. Eu deveria doar dois anos da minha vida trabalhando pela Igreja, sendo sutendado por ela, em uma terra distânte da mnha , para levar a palavra de Deus, agregando membros para Igreja. Os discursos, eram todos explanando este tópico e as aulas começaram a ser da mesma maneira, até a abordagem direta. Certa vez um membro do sumo conselho da igreja, me chamou até uma sala, e me intimou, em nome de Jesus a ir para missão, mas ele era orgulhoso demais, estava fazendo isso para se vangloriar dizendo que ele havia conseguido me convencer a ir para missão, coisa que nenhum deles havia feito. Bobagem, eu teria que largar meu estágio remunerado, com uma possivel efetivação, na empresa para ir para uma missão de dois anos e depois... é e depois ? Depois meu Tio nunca mais iria me ajudar em nada.
Mas foi o fato, que meu relacionamento com meus tios e primos começou a se desgastar de uma tal maneira que veio a se tornar algo humilhante demais para mim. Meu tio era um tipo de chefe-geral da manutenção mecânica de todo setor da trefilaria da Siderurgica, por varias vezes promovia festas aconteciam regadas de muita bebida, e meu tio se cercava de funcionários subordinados, técnicos e supervisores, uns puxa-sacos, os mesmo que por algumas vezes ouvi critica-lo, estavam ali cheio de sorrisos com suas respectivas esposas ou namoradas. Estes mesmo eu ainda vi serem promovidos. Nestas festas, era muito comum eu ser criticado na frente dos convidados, ou até mesmo ser excluído.
Certa vez cheguei do turno da tarde ( terminava meia noite ), e a festa já estava acontecendo, passando pela sala, um tanto quanto envergonhado por estar sujo, fui caminhado para o banheiro, e fui abordado pelo meu primo que só me parou para dizer : "Eu tenho vergonha que você é da minha família."
Até hoje eu não sei porque ele fez aquilo. Mas havia um tom de prazer na voz dele.
Meu salário não era muito grande, salario de estágiário... quando ganhei meu primeiro salário, fiquei muito feliz, era uma grana e tanto para mim, mas fui devidamente posto em meu lugar, minha tia fez questão de me lembrar que aquilo não era nada, que oque eu ganhava era muito pouco. Hoje em dia eu acho que ela só queria me dizer que eu poderia ganhar muito mais no futuro sendo um bom técnico, mas naquela ocasião, só respondi que não era muito, mas era meu...

As coisas foram rolando, eu já não me importava muito com as frequentes invasões a minha privacidade. Eu mantinha um diário escrito numa agenda, certa vez encontrei um texto escrto por minha tia nele. Ela havia lido, e era como se fosse um resposta para algo que ela interpretou como sendo escrito para ela...
Bom eu comecei a escrever em inglês, uma ou outra coisa, escrever era uma fuga, uma maneira de desabafar, foi nesta mesma época que minha tia entrou num curso de ingles, e eu, parei de escrever diários...
A empregada da minha tia, muito gente boa ela, era aquela que dormia no emprego, tinha lá o quartinho dela, fora da casa, tudo, direitinho... ela estava na familia a muito tempo,desde que as crianças eram pequenas... um dia minha tia colocou a empregada para dormir dentro de casa e eu para dormir no quarto da empregada... por mim tava tudo bem, foi o melhor quarto que dormi em Juiz de Fora, depois dele acho que nunca mais dormi em uma cama direita naquela cidade...
O Inverno frio naquela JF ainda estava por chegar quando eu comprei um aparelho de som para pagar em três prestações... eu cheguei muito feliz em casa com meu novo aparelho de som, não tinha laser, mas era meu, foi a primeira coisa que comprei com meu dinheiro...que conquista.
Foi de frente do aparelho de som que ouvi minha tia dizer...
"Se você tem dinheiro para comprar um Som, então deve ter dinheiro para ir morar por conta propria... assim que vencer as três prestações você pega suas coisas e vai embora."
Foi assim que em três meses, fui morar em uma casinha alugada num lugar distânte do centro. eu dividia o aluguel com um cara que era membro da igreja, mas ele passava mais tempo na casa da namorada do que em casa, eu morava praticamente sozinho.
Minha tia chegou a me visitar naquela casinha... acho que para desencargo de consciência, ela me deu um sofá de dois lugares muito bonito onde eu passei a dormir. Eu havia comprado uma toalha com um desenho do Garfield, deitado em várias almofadas com um turbante, escrito em baixo "Marajá". Eu pendurei esta toalha como um poster na parede. Uma piada sobre minha propria condição. Meu padrão de vida havia caido muito... mas eu ia conseguir viver por mim mesmo.
Não tinha televisão. Passava o dia ouvindo discos no som que acabará de terminar de pagar.

Eu almoçava ou jantava no emprego dependendo do turno... e por muitas vezes aquela era a minha unica refeição, os dias de folga eram quase um tormento, eu não sabia cozinhar muito bem, e por algumas vezes, passava o dia comendo bobagem ou da minha propria gororoba...
Havia enfim entrado para aquela grande maioria de que meu tio havia me falado nos primeiro dias. Oque para mim naquele dia me soou como exgero, era a minha propria realidade.

:: Capitulo XVII :: F.

Em pouco tempo comecei a me enturmar na Igreja em JF, eu tinha por volta dos 19 anos, e pela organização da igreja deveria estar entre os adultos, mas eu achava chato, preferia ficar entre os mais novos, e não havia muito jovens naquela ala. Confesso que estar com os jovens da igreja era um incentivo muito grande para continuar indo, principalmente num ligar novo como aquele era para mim. Sempre fiz amizade com pessoa mais novas do que eu... foi então que conheci F. e de cara nos tornamos amigos. Logo então me tornei lideres dos rapazes... dois rapazes para ser exato. . Mas eles me davam ânimo para ir.
É, foi verdade, me de repente me vi apaixonado por ele. Ele foi minha segunda grande paixão. e talvez um caso grave. De F. eu me aproximei, descobri que poderia toca-lo. Acaricia-lo, e enquanto me aproximava de F. por estar vivendo no meio de todas aquelas regras da religião, tendo sido chamado para ser um lider, minha consciencia pesava e me fazia triste. Triste Demais
Uma mescla de inocencia, prazer e medo.
Um dia eu e F. dormimos juntos no mesmo sofá. Cada um com a cabeça para um lado. Foi nesta noite que passei a mão pelo short que ele usava e senti o volume daquele sexo. Não era pequeno, e F. já estava excitado.
Senti todo cumprimento e toda espessura.
Depois dessa noite dormimos juntos várias outras vezes, eu sempre dava um jeito.
F. sempre dormia de bruços, eu colocava minha mão debaixo dele na direção do pau que já estava duro. assim que ele sentia a minha mão ele facilitava o meu acesso, depois que minha mão estava na direção do pau dele, ele fazia movimentos empurrando contra a minha mão e o colchão o pau dele dentro das calças. E isso aconteceu muitas vezes.
Uma manhã depois de retirar o sacramento, eu estava na cozinha da igreja lavando as bandeijas e uma tristeza meu pesou o coração.
Fui até o lider da Igreja, e pedi para conversar. Estava arrependido do que eu era, estava triste por ser diferente de todos naquela sociedade, estava tão triste.
Contei que havia tocado o penis de F. que o havia acariado, enfim contei entre lágrimas até onde pude. Digo até onde pude, porque isso era doloroso demais. O peso da culpa as vezes sufoca o som da sua voz.
O presidente, falou para que eu jejuasse toda semana. Sim uma vez por semana eu deveria ficar 24 hoas sem comer e sem beber nada, para que aprendesse a controlar meus desejos, apetites e paixões. Isso seria por uns tres meses. Ele foi ameno comigo. O castigo não foi tão severo quanto poderia ser. O pior foi ter de me afastar de F. , no entanto esta não seria a única dor desta história, falarei sobre isso depois.
Naquela tarde eu chorei, era como se F. tivesse morrido. Eu não deveria falar com ele, não deveria estar com ele... e eu chorei até dormir cansado de chorar...
Naquele dia eu sonhei com F. no sonho eu disse, que o visitaria sempre em meus sonhos.
Eu não vi mais F... mas sonho com ele até hoje.

:: Capitulo XVI :: um Marcelo em Juiz de Fora

Fui para Juiz de Fora por convite de um tio que trabalhava na Siderurgica Mendes Junior, e precisaria fazer um estágio para completar meu curso técnico, e então de um dia para o outro eu estava morando em JF, uma cidade diferente da minha terra. Cheia de morros, ladeiras, montanhas, muito fria. JF era uma cidade muito fria mesmo. Meus amigos da minha terra natal, ficaram para trás.
No começo tudo foi um mar de rosas, mas a convivencia com minha tia e meus primos, foi se desajustando. Naquela época eu dava uma grande importância a Igreja, e passava pouco tempo em casa. A diferença do modo de vida era muito grande, meus tios eram bem sucedidos na vida, tinham de tudo do bom... e sempre passaram para todo resto familia a imagem de um casal que deu certo.
A casa deles , apesar de não ser no bairro de classe alta era bem acima dos padrões. Eu que havia crescido em uma casa que nunca fora terminada, devido ao devaneios de meu pai em querer construir uma casa maior do que suas posse o permitiam, me deslumbrava com aquilo. Som... estéreo, com discos laser, eram a novidade da época. Meu Deus !!!! Eu sempre quis ter um aparelho de som... computador, antena parabólica, uma cozinha de sonhos, maquina de lavar, videocassete.. filmes , filmes e mais filmes !!! Era um mundo novo para mim.
A Siderurgica era uma empresa enorme, meu tio me explicava como algumas coisas funcionavam lá dentro nos primeiros dias, e duas coisas foram marcantes, ele me perguntou se eu havia gostado do lugar , eu disse que sim, e ele me falou": "É importante você gostar do lugar que trabalha, porque você vai passar muito tempo lá..."
Em outra ocasião, eu disse com um ar de graça a maneira exagerada que a maioria da mão de obra comia. Por algumas vezes a bandeja e comida se transformava em um grande prato de aluminio, tanta era a comida que as divisões desapareciam. Então ele me disse com um tom mais serio : "Muitas vezes, aquela refeição é a unica que o cara vai ter naquele dia..."
Eu achei um pouco de exgero, mas não contestei.
Eu gostava muito de me sentar na sala de estar, e ouvir um disco da Simone que tinha lá. O sofá muito confortavel era um abraço nos fins de tarde quando chegava do turno do dia na Siderurgica.
Foi neste ambiente que conheci um garoto que morada na descida da ladeira, o Marcelo. O Menino humilde que chamava minha tia de dona... ela já era amigo da gente, mas fiz questão de ser proximo dele. Proximo demais.
Eu gostava de Marcelo... queria abraça-lo, mas era uma coisa sem jeito, para mim, sentir o desejo e não demonstrar... tudo muito complicado.
Marcelo engraxava sapatos para ajudar a mãe no orçamento da familia, filho mais velho de quatro nascidos, desde muito cedo aprendeu a responsabilidade de cuidar de todo mundo. O Pai trabalhava na coleta de lixo, ficava muito tempo ausente.
Marcelo, ele era tão carismático. Eu o queria para mim.... as coisas não eram como são hoje.
Um dia convidei-o para assitir filmes com a gente lá na sala da minha Tia. a gente ficou de baixo do mesmo lençol... como disse a cidade era fria demais... foi aí que toque-o pela primeira vez. Desculpe-me se não te falo de detalhes, não me lembro, mas me lembro bem dele saindo da casa da minha tia com o olhar zangado. Ele não gostou... Nem bem era um olhar zangado, pensando bem parecia uma coisa de decepção...
Depois ele se mudou para um outro bairro mais distante, eu fui visita-lo algumas vezes, um pouco antes da sua mãe falecer, mas com o tempo fui perdendo o contato...
Um dia por acaso encontrei-o na rua, ele estava usando um macacão Jeans muito bonito, tenis novo... muito feliz... perguntei a ele se ele estava trabalhando, ele disse que não, e que havia ganhado o tenis e as roupas de um Padre, e que também não estava morando mais com o pai , agora estava morando com o Padre.

sábado, novembro 19, 2005

:: Capitulo XV :: O Escondido

A Igreja era um lugar onde eu me escondia. Novos amigos, garotos bonitos, não precisava ter namorada, não precisava fuder com elas, por conseguinte eu estava protegido, não precisava provar nada para ninguém, e homens que diziam a outros homens que os amavam. Hahaha...isso era engraçado. Era muito comum um homem dizer a outro, eu te amo irmão. Confesso que a princípio eu me assustei com aquelas declarações de amor explícitas. Mas tudo foi bem explicado, era amor cristão. Tudo bem.
Por algum tempo eu até sosseguei com meus desejos. Me concentrei em aprender a ser parte daquela sociedade, e pouco a pouco fui me tornando, muito, muito popular.
Foi então que me mudei para Juiz de Fora...

:: Capitulo XIV :: Era Deus quem eu procurava ?

Um dia meu pai me disse que eu não usasse a bíblia para me esconder de nada. Não sei porque ele disse isso para mim. Eu nunca falei da minha orientação sexual para ele... mas nada foi tão certo, e hoje acho que foi isso que eu fiz. Usei a Biblia, a religião, para me esconder.
Um dia missionário da igreja Mormom estiveram lá em casa, e bom, o missionário era lindo, eu fui atrás dessa beleza... sim , esta é a verdade, a principio eu fui atraz do belo rapaz. Sorridente, americano. Me conquistou.
Eu orei e pedi a Deus orientação. Uma coisa tenho que admitir aqui. EU SENTI QUE RA VERDADE. Mas não é sobre isso que tenho que falar aqui. Não é este o espaço nem a hora.
O fato é que fui batizado na igreja Mormom. Não posso ainda afirmar se foi erro, se foi acerto, no que posso dizer que seguir aquela religião era uma coisa que eu queria muito. Então eu fui, me batizei e estava muito feliz com a minha decisão, mas meu pai não ficou. Chegou na sala gritando como sempre, dizendo que ele foi o ultimo a saber que eu estava mudando de religião. Mas também pudera, a muito tempo, meu pai vinha se afastando de mim, não era de ser surpresa que ele fosse o ultimo a saber.
Estava feliz, fiquei triste, chorei, meu pai não gostava de mim. Este era o sentimento.
Acho que foi no dia seguinte que ele me disse, depois de se acalmar, para que eu não se escondesse atrás da bíblia... mas aí já era tarde demais.

:: Capitulo XIII :: Márcio

Então foi assim minha adolescência, transitando pelos corredores do Convento dos Padres, entre amigos recém chegados, amigos sinceros e outros nem tão sinceros assim. Cativado e amado, protegido e seguido. O Movimento Jovem me deu anos bons demais... e me livrou talvez de uma grande primeira paixão, Márcio.
Eu conheci Mácio na escola ginasial. Ele era ideal. Branco, corpo atlético, cabelos lisos divididos ao meio. Cheguei a usar meu cabelo com cachos divididos no meio por algum tempo, só para imita-lo. Márcio já sabia dirigir, pilotava moto, era inteligentíssimo, logo nos tornamos amigos. Ele amava artes marciais. Eu saía de minha casa de noite junto com uma amiga só para vê-lo treinar. De fato o treino era nada para mim, o simples fato de estar com ele, era oque eu queria.
Eu amava aquele cara. Pensava nele o tempo todo. Não consigo descrever qual é o sentimento. Era sim...frustrante. Ver estar tão perto, e não poder te-lo para mim.
Marcio era muito cobiçado por todas as garotas. Um dia fui conhecer a familia dele. Ele morava muito longe da minha casa, mas tinha uma familia legal. Não era rico. Mas a familia era do tipo batalhadora. Cinco filhos. Um irmão maior, que era bonito, mas longe do meu interesse, uma irmã, e dois irmão mais novos que Marcio, também muito bonitos. Passavam um sentimento de união muito grande. Porém a constante ausência do pai (os pais dele acabaram por se separar), e a mãe sempre trabalhando para sustentar a casa, todos eram também muito independentes. Incrivel. Só me lembro da irmã dele ser muito seria, os meninos, iclusive a mãe sempre estavam sorridentes.
Fui chato com Marcio, passei muito tempo aos pés dele, chegue a faze-lo desmanchar com uma namorada, por ciúmes (hoje sei oque foi). Eu o seguia em todos os lugares...
Um dia, apareceu o grupo jovem, e eu me distraí, esqueci o Marcio um pouco, fui deixando de lado, e bom, Marcio passou, mas deixou a marca de uma amizade muito grande, que veio a durar anos e anos... ele nunca soube, talvez desconfiasse, mas eu nunca disse que tudo aquilo era paixão.

segunda-feira, agosto 15, 2005

:: Capitulo XII :: A Igreja Católica

Era uma época de poucas precupações, se comparada a época atual. Escola, provas, trabalhos, amigos... não tava nem aí para oque falavam. Se falavam. Do meu jeito de falar de andar, sei lá. Eu era bonito, cabelos que formavam grandes caracóis, olhos expressivos, e corpo magro bem formado, pernas de corredor. Eu fui um adolescete bonito, chamava a atenção. Era cativante.
o Mov. Jovem Cristão era um grupo jovem da Igreja Católica Apostólica Romana que se reunia no convento perto da minha casa. Foi lá que fiz meu segunda amizade que iria atravessar os tempos.
Augusto, era o tipo líder natural, amado por alguns e detestado por outros. Havia algumas disputas politicas dentro do grupo, coisa que eu não entendia muito, e como em toda disputa política, uma das armas era a fofoca. Muita fofoca rolava dentro de um grupo cuja a fauna era diversificadíssima. Todo tipo de nuances era encontratada dentro daquela sociedade. Gente dentro do "ármario", por assim dizer, fofoqueira de plantão, invejosas, estrelismo, carentes, doidas, mas tinha um senso de amizade muito grande e mais um ponto que eu buscava inconscientemente. Aceitação.
Eu... dentro do armário buscava um mundo onde eu seria aceito. Eu e meu ármario. Eu não entendia ainda como as coisas funcionavam, nem queria me preocupar com isso.
Eu seguia a linha que a sociedade traçava para mim. Meninos com Meninas. Meninas com Meninos. Na mescla de amigos, grupos, teatro, Igreja, fui descobrindo Deus.
Fo então que um dia achei que Deus tinha a resposta que eu queria.
Fui me apegando a Deus.
Apego, ê sentimento ruim...

sexta-feira, abril 29, 2005

:: Capitulo XI :: O Tio

Tinha um tio que me tratava muito bem. Ele era mais novo que meu pai, tinha dois filhos na ocasião, um casal.
Eu frequentemente o ajudava em seu trabalho. Houve uma época em que eu dormia na casa dele. um dia eu o vi nu pela abertura que ficou pela porta do banheiro. Foi o suficiente para aguçar a minha curiosidade.
Minha ousadia não era das grandes, o medo me mantinha na linha.
Em todos os lugares eu ia com ele. Para o futebol, embora detestasse futebol, mas tinha os vestiários onde todos os caras ficavam nus. E isso era maneiro.
Mas do que o homem, eu via no meu tio uma espécie de substituto do pai. Ele me levava com a família dele, para comer fora, agente tomava cerveja junto, íamos em vários lugares. Eu trabalha junto com ele no bar. Era um bom relacionamento. Ele era o pai que eu queria, sempre sorridente, sempre brincalhão. Não existia o puritanismo, e aquela coisa calada, velada. Meu tio xingava, falava de tudo, e o admirava pela alegria... tudo que eu não via em meu pai. Mas tinha a coisa atrativa, não posso negar, tudo muito misturado, tudo muito bagunçado. Tinha mesmo. E era bom.
Um dia fechamos o bar e meu tio me levou junto com a minha tia e prima para comermos hambúrguer em algum quiosque na cidade. Voltamos e meu pai estava a nos esperar , com a cara zangada. Meu tio me levou até meu pai que me perguntou da maneira grossa habitual..."Onde é que o senhor estava ?!!"...medo, minha voz não saiu... "Ele foi ali comer um hambúrguer comigo, não bate nele não, fui eu que chamei." Meu tio respondeu com tom ameno... e meu pai falou "...é mas ele tá merecendo... eu vou pegar esse 'caboclinho', eu só estou prometendo..."
Não me pergunte porque ele queria me pegar... não quero aqui dar uma inocente, realmente não me lembro porque ele queria me bater.
Subi para meu quarto, e deitei em minha cama... antes de dormir chorei um pouco.
Eu nem queria ter raiva do meu pai... mas eu tinha.

quarta-feira, abril 20, 2005

:: Capitulo X :: Maguinho

Maguinho... Carlos Magno. Eu conheci Maguinho através de Rodrigo. Rodrigo era dono de um sorriso enorme, e fomos afabetizados juntos. Maguinho era o primo dele. Morava numa casa grande, tinha seu proprio quarto (de fato para mim que sempre dividi o quarto com emu irmão era algo a se admirar).
Maguinho era moreno de cabelos bem baixos, boca com lábios generosos, apesar disso tinha as feições finas. Não demorou para saber que ele era o garoto com o maior penis que eu já tinha visto até então. era grande mesmo. Sempre rolava alguma putaria entre nos... era um pegando no do outro. A gente sempre falava de mulher, mas era difícil alguém se arrumar com uma. Eu gostava de estar com ele. Ele era forte, bonito. A gente sempre andava de bicicleta junto. e as vezes eu ia no quadro. Eu nutria um sentimento forte por ele, e nem sabia disso direito, porque minha cabeça estava em outras coisas. Uma tarde inteira Maguinho e Rodrigo passaram pegando no meu pau, era zueira deles, porque instintivamente a gente se encolhia para proteger de se levar um peteleco mais forte... mas naquele dia eu deixei, eles pegaram, por cima da calça mesmo, eu gostei.
Passavos bastante tempo na casa de Carlos Magno. Ele, embora tivesse uma casa enorme, com um banheiro igualmente enorme, gostava de tomar banho no banheiro que ficava fora da casa. Uma ocasião ele tomou banho de porta aberta... lá estava eu diante dele. Ele nu, sem nenhuma vergonha, também pudera, teria vergonha de que... corpo perfeito, pau grande, rosto bonito, era tudo que a gente queria...
Era lindo, eu e meus desejos contidos, ficaram admirando. O Medo de perder a amizade... eu pegava no pau dele e não tava brincado, mesmo que fingisse... mas e ele? Era melhor não arriscar, eu sempre tive medo de arriscar.
Um dia Maguinho disse que não me levaria mais no quadro da bicicleta... acho que o pai dele disse que não era para fazer mais isso. Isso foi logo depois do pai dele ter passado em frente a minha escola e ter me visto a conversar com as meninas. Eu vivia com elas...
Depois, maguinho foi se afastando, até se tornar uma lembrança.

terça-feira, abril 19, 2005

:: Capitulo IX:: Meu pai me bateu

Seria preciso tempo para me lembrar disso com detalhes suficientes. Mas posso lhe dizer da vergonha, e da dor... do dia seguinte e dos dias que se passaram depois deste dia.
Um dia estavamos brincando com os meninos, que a esta alrura dos acontecimentos, me chatageava dizendo que iriam contar oa meu pai oque acontecerá lá dentro da casa deles. E por qualquer coisa se dizia em tom ameaçador "me de isso, se não vou contar o negócio". O negócio, era sim que era tratado toda "coisa feia" que era feita.
Um dia meu pai ouviu a chantagem, e viu minha reação de total submissão diante de tal ameaça.
Ainda me lembro de estar sentado diante de meu pai, de como me sentia pequeno diante daquele homem..."fazemos safadezas lá detrás da casa deles..." disse com a cabeça baixa... minha voz quase não saiu.
Meu pai me agarrou pela cintura da calça, e me levantou, segurando pela parte de trás, eu queria correr, mas não poderia, meus pés não tocavam o chão.
Ele gritava, estava com raiva, e me batia com muita força.
Minhas mão se enfraquecem agora, e meus olhos se enchem de lágrimas agora, por mesmo depois de tanto tempo ainda posso sentir toda raiva...
Ficou uma dor, uma mágoa, ficou sentimento de abandono... e um abismo que foi crescendo de acordo com o tempo que passava.
Eu fiquei com raiva dele... e por qualquer coisa ele gritava comigo... eu fiquei com medo dele... o minimo que fizesse era motivo dele me bater... eu fiquei distânte... e toda palavra que ele me direcionava era para me ameaçar.
E assim aos poucos eu me sentia como um barco deixando o porto, cheio de tristeza e medo... meu pai era o porto, cada vez mais distânte, sumindo no horizonte.
Cresci com medo dos homens.
Procurando um pai por aí, que me desse atenção, e carinho... chamei alguns de pai, mas a palavra saía torta, não encaixava... pai... guardei esta palavra para mim.
Acho que ela enferrujou.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

:: Capitulo VIII:: O Loiro do filme.

Naquela tarde eu e minha irmã fomos ver Flash Gordon no cinema. Eu era pequeno demais, estava fascinado coms os efeitos especias que desfilavam na tela, mas outra coisa me chamou muito a atenção, o ator principal. Um homem loiro de cabelos lisos...
Minha irmã tinha um amigo cujo os cabelos eram lisos e os olhos eram bonitos como o do ator, passei a me referir a ele como Flash Gordon também...

:: Capitulo VII :: O garotos da rua

Todo mundo tem uma turma quando criança. Eu tinha a minha turma. Gostava de brincar, correr, pular, dançar. Era uma criança feliz. Não posso te contar com exatidão como tudo começou. Na minha memória a coisa vem devagar, mas por vários fatos, pequenos, mas marcantes.
Tinha o hábito de gostar do que era proibido, do que "papai e mamãe achava feio".
Porque é feio ?
Não havia resposta.

Um dos garotos se chamava Lindomar. Ele talvez fosse o mais novo. Era com que eu mais brincava. Um dia nos trancamos dentro de um armário. La dentro ele pegou no meu penis e eu peguei no penis dele. Era uma brincadeira muito rápida.
Dava prazer, e eu queria brincar...
Foi o irmão de Lindomar e o um outro garoto que me disseram que eu tinha de "dar" para eles, provavelmente em troca de alguma coisa.
Eu não sabia... não tinha noção do que estava acontecendo. Eles eram mais velhos, queriam me "ensinar"... relembrar isso me dá uma certa angustia. Um nó aqui dentro, uma vontade de chorar. Aconteceu e eu não sabia oque estava realmente acontecendo.
Tem um pouco de vergonha, um pouco de pena de mim mesmo, um pouco de raiva.
Se pudesse, apagaria isso da minha vida...

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

:: Capitulo VI :: Samuel

Tive um amigo que se chamava Samuel. Nome bíblico, familia batista. Samuel era, assim por dizer...curioso. Ele gostava de espionar. Um dia me convidou para ver o tio dele que dormia num barraco nos fundo da casa dele, dizia ela que o tio estava com o penis para fora... eu fui e não vi nada.
Tínhamos uma brincadeira, encostar o penis de um no outro. Ele sabia que era "feio", e me ensinou que era, então fazíamos escondido. Ninguém nunca soube disso.
Um dia discutimos por alguma bobagem de criança, voltamos anos falar, ainda brincamos um bocado juntos, e um monte de vezes "escondidos"... depois o tempo passou.. eu acho que ele se mudou... não sei oque aconteceu com ele.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

:: Capitulo V :: Foi assim...

Um garoto grande, bem mais velho do eu, me perguntou se eu queria ver o "piru" dele... não entendi porque ele estava me perguntando aquilo. Eu era muito novo, criança. Não entendi porque ele quera me mostrar... mas disse que sim, embora não tivesse nenhuma curiosidade. Minha vida e criança estava ligada a outras coisas. Inocente eu disse sim... e ele me mostrou, e me perguntou :
-É pequeno?
-Sim...
Respondi sem entender o porque... ele guardou dentro das calças.
Gente grande tem cada coisa estranha... pensei eu.
Ficou a curiosidade.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

:: Capitulo IV :: Desinteresse

Porque estou a contar das paixões de minha infância ?
Para tentar situar em qual ponto ocorreu a mudança... em qual ponto me desviei... quando tudo começou.... Para isso. Com frequencia recorro a alguma lembrança como essa para tentar encontar meu caminho certo. Mas estou a tanto tempo fora do rumo que fica impossivel consertar tudo. Mas quem sabe eu possa amenizar as coisas... não ! Não posso. Não serei o orgulho do papai nem da mamãe. Nem da familia.

Tive algumas namoradas, paquerei algumas garotas, mas de algumas me lembro bem. De uma até me lembro nome, Vanessa. Não posso medir nada por ela. Hoje tenho uma opinião sincera sobre oque foi isso... namorei por fachada. Era para ter uma namorada porque todos queriam que eu tivesse uma namorada. Não era porque eu queria.
Depois veio uma gordinha, era muito apaixonada por mim. Claudinha. Nesta época eu já pertencia a Igreja. Não deu certo. Não durou... a culpa era minha mais uma vez. Perdia o interesse pelas garotas com rapidez, e isso era notado por elas com a mesma velocidade.
Algumas moveram montanhas por minha causa... por elas não movi nem uma palha. Não quero com isso ser visto como frio, machista ou coisa parecida. Era pura falta de interesse, a única coisa que uma garota não consegue enxergar num homem por quem ela esteja interessada, que aquele homem talvez não esteja interessada nela.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

:: Capitulo III :: Do que eu me lembro...

As Patotinhas.
Entre elas uma menina me chamava a atenção. Não me lembro o nome, mas ela era linda. Cabelos lisos e pretos como uma índia, de fato suas feições eram meio índia, ou orientais.
Estou falando sobre isso, de novo, porque a sensação é boa. Era bom. Era um segredo, agora é só uma lembrança de infância. Falando assim é como se fosse uma tola coisa de criança. Mas para mim agora é cmo se fosse um tesouro valioso, de um sentimento que se foi.
Sim, já disse isso aqui, mas toda noite antes de dormir eu a beijava... era um sentimento doce e inocente, de um garoto que fantasiava dormir ao lado do seu amor toda noite. Procurando por estes sentimentos agora não consigo encontra-los dentro de mim a não ser um traço da lembrança que escrevo aqui...