sexta-feira, abril 29, 2005

:: Capitulo XI :: O Tio

Tinha um tio que me tratava muito bem. Ele era mais novo que meu pai, tinha dois filhos na ocasião, um casal.
Eu frequentemente o ajudava em seu trabalho. Houve uma época em que eu dormia na casa dele. um dia eu o vi nu pela abertura que ficou pela porta do banheiro. Foi o suficiente para aguçar a minha curiosidade.
Minha ousadia não era das grandes, o medo me mantinha na linha.
Em todos os lugares eu ia com ele. Para o futebol, embora detestasse futebol, mas tinha os vestiários onde todos os caras ficavam nus. E isso era maneiro.
Mas do que o homem, eu via no meu tio uma espécie de substituto do pai. Ele me levava com a família dele, para comer fora, agente tomava cerveja junto, íamos em vários lugares. Eu trabalha junto com ele no bar. Era um bom relacionamento. Ele era o pai que eu queria, sempre sorridente, sempre brincalhão. Não existia o puritanismo, e aquela coisa calada, velada. Meu tio xingava, falava de tudo, e o admirava pela alegria... tudo que eu não via em meu pai. Mas tinha a coisa atrativa, não posso negar, tudo muito misturado, tudo muito bagunçado. Tinha mesmo. E era bom.
Um dia fechamos o bar e meu tio me levou junto com a minha tia e prima para comermos hambúrguer em algum quiosque na cidade. Voltamos e meu pai estava a nos esperar , com a cara zangada. Meu tio me levou até meu pai que me perguntou da maneira grossa habitual..."Onde é que o senhor estava ?!!"...medo, minha voz não saiu... "Ele foi ali comer um hambúrguer comigo, não bate nele não, fui eu que chamei." Meu tio respondeu com tom ameno... e meu pai falou "...é mas ele tá merecendo... eu vou pegar esse 'caboclinho', eu só estou prometendo..."
Não me pergunte porque ele queria me pegar... não quero aqui dar uma inocente, realmente não me lembro porque ele queria me bater.
Subi para meu quarto, e deitei em minha cama... antes de dormir chorei um pouco.
Eu nem queria ter raiva do meu pai... mas eu tinha.

quarta-feira, abril 20, 2005

:: Capitulo X :: Maguinho

Maguinho... Carlos Magno. Eu conheci Maguinho através de Rodrigo. Rodrigo era dono de um sorriso enorme, e fomos afabetizados juntos. Maguinho era o primo dele. Morava numa casa grande, tinha seu proprio quarto (de fato para mim que sempre dividi o quarto com emu irmão era algo a se admirar).
Maguinho era moreno de cabelos bem baixos, boca com lábios generosos, apesar disso tinha as feições finas. Não demorou para saber que ele era o garoto com o maior penis que eu já tinha visto até então. era grande mesmo. Sempre rolava alguma putaria entre nos... era um pegando no do outro. A gente sempre falava de mulher, mas era difícil alguém se arrumar com uma. Eu gostava de estar com ele. Ele era forte, bonito. A gente sempre andava de bicicleta junto. e as vezes eu ia no quadro. Eu nutria um sentimento forte por ele, e nem sabia disso direito, porque minha cabeça estava em outras coisas. Uma tarde inteira Maguinho e Rodrigo passaram pegando no meu pau, era zueira deles, porque instintivamente a gente se encolhia para proteger de se levar um peteleco mais forte... mas naquele dia eu deixei, eles pegaram, por cima da calça mesmo, eu gostei.
Passavos bastante tempo na casa de Carlos Magno. Ele, embora tivesse uma casa enorme, com um banheiro igualmente enorme, gostava de tomar banho no banheiro que ficava fora da casa. Uma ocasião ele tomou banho de porta aberta... lá estava eu diante dele. Ele nu, sem nenhuma vergonha, também pudera, teria vergonha de que... corpo perfeito, pau grande, rosto bonito, era tudo que a gente queria...
Era lindo, eu e meus desejos contidos, ficaram admirando. O Medo de perder a amizade... eu pegava no pau dele e não tava brincado, mesmo que fingisse... mas e ele? Era melhor não arriscar, eu sempre tive medo de arriscar.
Um dia Maguinho disse que não me levaria mais no quadro da bicicleta... acho que o pai dele disse que não era para fazer mais isso. Isso foi logo depois do pai dele ter passado em frente a minha escola e ter me visto a conversar com as meninas. Eu vivia com elas...
Depois, maguinho foi se afastando, até se tornar uma lembrança.

terça-feira, abril 19, 2005

:: Capitulo IX:: Meu pai me bateu

Seria preciso tempo para me lembrar disso com detalhes suficientes. Mas posso lhe dizer da vergonha, e da dor... do dia seguinte e dos dias que se passaram depois deste dia.
Um dia estavamos brincando com os meninos, que a esta alrura dos acontecimentos, me chatageava dizendo que iriam contar oa meu pai oque acontecerá lá dentro da casa deles. E por qualquer coisa se dizia em tom ameaçador "me de isso, se não vou contar o negócio". O negócio, era sim que era tratado toda "coisa feia" que era feita.
Um dia meu pai ouviu a chantagem, e viu minha reação de total submissão diante de tal ameaça.
Ainda me lembro de estar sentado diante de meu pai, de como me sentia pequeno diante daquele homem..."fazemos safadezas lá detrás da casa deles..." disse com a cabeça baixa... minha voz quase não saiu.
Meu pai me agarrou pela cintura da calça, e me levantou, segurando pela parte de trás, eu queria correr, mas não poderia, meus pés não tocavam o chão.
Ele gritava, estava com raiva, e me batia com muita força.
Minhas mão se enfraquecem agora, e meus olhos se enchem de lágrimas agora, por mesmo depois de tanto tempo ainda posso sentir toda raiva...
Ficou uma dor, uma mágoa, ficou sentimento de abandono... e um abismo que foi crescendo de acordo com o tempo que passava.
Eu fiquei com raiva dele... e por qualquer coisa ele gritava comigo... eu fiquei com medo dele... o minimo que fizesse era motivo dele me bater... eu fiquei distânte... e toda palavra que ele me direcionava era para me ameaçar.
E assim aos poucos eu me sentia como um barco deixando o porto, cheio de tristeza e medo... meu pai era o porto, cada vez mais distânte, sumindo no horizonte.
Cresci com medo dos homens.
Procurando um pai por aí, que me desse atenção, e carinho... chamei alguns de pai, mas a palavra saía torta, não encaixava... pai... guardei esta palavra para mim.
Acho que ela enferrujou.