quarta-feira, novembro 23, 2005

:: Capitulo XVIII :: "Pegue suas coisas e vá...."

Enquanto me envolvia mais e mais com F. minha vida na fria JF foi se tornando um seriado de problemas. A começar pela pressão que os lideres faziam para convencer-me de que eu deveria sair em missão. Eu deveria doar dois anos da minha vida trabalhando pela Igreja, sendo sutendado por ela, em uma terra distânte da mnha , para levar a palavra de Deus, agregando membros para Igreja. Os discursos, eram todos explanando este tópico e as aulas começaram a ser da mesma maneira, até a abordagem direta. Certa vez um membro do sumo conselho da igreja, me chamou até uma sala, e me intimou, em nome de Jesus a ir para missão, mas ele era orgulhoso demais, estava fazendo isso para se vangloriar dizendo que ele havia conseguido me convencer a ir para missão, coisa que nenhum deles havia feito. Bobagem, eu teria que largar meu estágio remunerado, com uma possivel efetivação, na empresa para ir para uma missão de dois anos e depois... é e depois ? Depois meu Tio nunca mais iria me ajudar em nada.
Mas foi o fato, que meu relacionamento com meus tios e primos começou a se desgastar de uma tal maneira que veio a se tornar algo humilhante demais para mim. Meu tio era um tipo de chefe-geral da manutenção mecânica de todo setor da trefilaria da Siderurgica, por varias vezes promovia festas aconteciam regadas de muita bebida, e meu tio se cercava de funcionários subordinados, técnicos e supervisores, uns puxa-sacos, os mesmo que por algumas vezes ouvi critica-lo, estavam ali cheio de sorrisos com suas respectivas esposas ou namoradas. Estes mesmo eu ainda vi serem promovidos. Nestas festas, era muito comum eu ser criticado na frente dos convidados, ou até mesmo ser excluído.
Certa vez cheguei do turno da tarde ( terminava meia noite ), e a festa já estava acontecendo, passando pela sala, um tanto quanto envergonhado por estar sujo, fui caminhado para o banheiro, e fui abordado pelo meu primo que só me parou para dizer : "Eu tenho vergonha que você é da minha família."
Até hoje eu não sei porque ele fez aquilo. Mas havia um tom de prazer na voz dele.
Meu salário não era muito grande, salario de estágiário... quando ganhei meu primeiro salário, fiquei muito feliz, era uma grana e tanto para mim, mas fui devidamente posto em meu lugar, minha tia fez questão de me lembrar que aquilo não era nada, que oque eu ganhava era muito pouco. Hoje em dia eu acho que ela só queria me dizer que eu poderia ganhar muito mais no futuro sendo um bom técnico, mas naquela ocasião, só respondi que não era muito, mas era meu...

As coisas foram rolando, eu já não me importava muito com as frequentes invasões a minha privacidade. Eu mantinha um diário escrito numa agenda, certa vez encontrei um texto escrto por minha tia nele. Ela havia lido, e era como se fosse um resposta para algo que ela interpretou como sendo escrito para ela...
Bom eu comecei a escrever em inglês, uma ou outra coisa, escrever era uma fuga, uma maneira de desabafar, foi nesta mesma época que minha tia entrou num curso de ingles, e eu, parei de escrever diários...
A empregada da minha tia, muito gente boa ela, era aquela que dormia no emprego, tinha lá o quartinho dela, fora da casa, tudo, direitinho... ela estava na familia a muito tempo,desde que as crianças eram pequenas... um dia minha tia colocou a empregada para dormir dentro de casa e eu para dormir no quarto da empregada... por mim tava tudo bem, foi o melhor quarto que dormi em Juiz de Fora, depois dele acho que nunca mais dormi em uma cama direita naquela cidade...
O Inverno frio naquela JF ainda estava por chegar quando eu comprei um aparelho de som para pagar em três prestações... eu cheguei muito feliz em casa com meu novo aparelho de som, não tinha laser, mas era meu, foi a primeira coisa que comprei com meu dinheiro...que conquista.
Foi de frente do aparelho de som que ouvi minha tia dizer...
"Se você tem dinheiro para comprar um Som, então deve ter dinheiro para ir morar por conta propria... assim que vencer as três prestações você pega suas coisas e vai embora."
Foi assim que em três meses, fui morar em uma casinha alugada num lugar distânte do centro. eu dividia o aluguel com um cara que era membro da igreja, mas ele passava mais tempo na casa da namorada do que em casa, eu morava praticamente sozinho.
Minha tia chegou a me visitar naquela casinha... acho que para desencargo de consciência, ela me deu um sofá de dois lugares muito bonito onde eu passei a dormir. Eu havia comprado uma toalha com um desenho do Garfield, deitado em várias almofadas com um turbante, escrito em baixo "Marajá". Eu pendurei esta toalha como um poster na parede. Uma piada sobre minha propria condição. Meu padrão de vida havia caido muito... mas eu ia conseguir viver por mim mesmo.
Não tinha televisão. Passava o dia ouvindo discos no som que acabará de terminar de pagar.

Eu almoçava ou jantava no emprego dependendo do turno... e por muitas vezes aquela era a minha unica refeição, os dias de folga eram quase um tormento, eu não sabia cozinhar muito bem, e por algumas vezes, passava o dia comendo bobagem ou da minha propria gororoba...
Havia enfim entrado para aquela grande maioria de que meu tio havia me falado nos primeiro dias. Oque para mim naquele dia me soou como exgero, era a minha propria realidade.

:: Capitulo XVII :: F.

Em pouco tempo comecei a me enturmar na Igreja em JF, eu tinha por volta dos 19 anos, e pela organização da igreja deveria estar entre os adultos, mas eu achava chato, preferia ficar entre os mais novos, e não havia muito jovens naquela ala. Confesso que estar com os jovens da igreja era um incentivo muito grande para continuar indo, principalmente num ligar novo como aquele era para mim. Sempre fiz amizade com pessoa mais novas do que eu... foi então que conheci F. e de cara nos tornamos amigos. Logo então me tornei lideres dos rapazes... dois rapazes para ser exato. . Mas eles me davam ânimo para ir.
É, foi verdade, me de repente me vi apaixonado por ele. Ele foi minha segunda grande paixão. e talvez um caso grave. De F. eu me aproximei, descobri que poderia toca-lo. Acaricia-lo, e enquanto me aproximava de F. por estar vivendo no meio de todas aquelas regras da religião, tendo sido chamado para ser um lider, minha consciencia pesava e me fazia triste. Triste Demais
Uma mescla de inocencia, prazer e medo.
Um dia eu e F. dormimos juntos no mesmo sofá. Cada um com a cabeça para um lado. Foi nesta noite que passei a mão pelo short que ele usava e senti o volume daquele sexo. Não era pequeno, e F. já estava excitado.
Senti todo cumprimento e toda espessura.
Depois dessa noite dormimos juntos várias outras vezes, eu sempre dava um jeito.
F. sempre dormia de bruços, eu colocava minha mão debaixo dele na direção do pau que já estava duro. assim que ele sentia a minha mão ele facilitava o meu acesso, depois que minha mão estava na direção do pau dele, ele fazia movimentos empurrando contra a minha mão e o colchão o pau dele dentro das calças. E isso aconteceu muitas vezes.
Uma manhã depois de retirar o sacramento, eu estava na cozinha da igreja lavando as bandeijas e uma tristeza meu pesou o coração.
Fui até o lider da Igreja, e pedi para conversar. Estava arrependido do que eu era, estava triste por ser diferente de todos naquela sociedade, estava tão triste.
Contei que havia tocado o penis de F. que o havia acariado, enfim contei entre lágrimas até onde pude. Digo até onde pude, porque isso era doloroso demais. O peso da culpa as vezes sufoca o som da sua voz.
O presidente, falou para que eu jejuasse toda semana. Sim uma vez por semana eu deveria ficar 24 hoas sem comer e sem beber nada, para que aprendesse a controlar meus desejos, apetites e paixões. Isso seria por uns tres meses. Ele foi ameno comigo. O castigo não foi tão severo quanto poderia ser. O pior foi ter de me afastar de F. , no entanto esta não seria a única dor desta história, falarei sobre isso depois.
Naquela tarde eu chorei, era como se F. tivesse morrido. Eu não deveria falar com ele, não deveria estar com ele... e eu chorei até dormir cansado de chorar...
Naquele dia eu sonhei com F. no sonho eu disse, que o visitaria sempre em meus sonhos.
Eu não vi mais F... mas sonho com ele até hoje.

:: Capitulo XVI :: um Marcelo em Juiz de Fora

Fui para Juiz de Fora por convite de um tio que trabalhava na Siderurgica Mendes Junior, e precisaria fazer um estágio para completar meu curso técnico, e então de um dia para o outro eu estava morando em JF, uma cidade diferente da minha terra. Cheia de morros, ladeiras, montanhas, muito fria. JF era uma cidade muito fria mesmo. Meus amigos da minha terra natal, ficaram para trás.
No começo tudo foi um mar de rosas, mas a convivencia com minha tia e meus primos, foi se desajustando. Naquela época eu dava uma grande importância a Igreja, e passava pouco tempo em casa. A diferença do modo de vida era muito grande, meus tios eram bem sucedidos na vida, tinham de tudo do bom... e sempre passaram para todo resto familia a imagem de um casal que deu certo.
A casa deles , apesar de não ser no bairro de classe alta era bem acima dos padrões. Eu que havia crescido em uma casa que nunca fora terminada, devido ao devaneios de meu pai em querer construir uma casa maior do que suas posse o permitiam, me deslumbrava com aquilo. Som... estéreo, com discos laser, eram a novidade da época. Meu Deus !!!! Eu sempre quis ter um aparelho de som... computador, antena parabólica, uma cozinha de sonhos, maquina de lavar, videocassete.. filmes , filmes e mais filmes !!! Era um mundo novo para mim.
A Siderurgica era uma empresa enorme, meu tio me explicava como algumas coisas funcionavam lá dentro nos primeiros dias, e duas coisas foram marcantes, ele me perguntou se eu havia gostado do lugar , eu disse que sim, e ele me falou": "É importante você gostar do lugar que trabalha, porque você vai passar muito tempo lá..."
Em outra ocasião, eu disse com um ar de graça a maneira exagerada que a maioria da mão de obra comia. Por algumas vezes a bandeja e comida se transformava em um grande prato de aluminio, tanta era a comida que as divisões desapareciam. Então ele me disse com um tom mais serio : "Muitas vezes, aquela refeição é a unica que o cara vai ter naquele dia..."
Eu achei um pouco de exgero, mas não contestei.
Eu gostava muito de me sentar na sala de estar, e ouvir um disco da Simone que tinha lá. O sofá muito confortavel era um abraço nos fins de tarde quando chegava do turno do dia na Siderurgica.
Foi neste ambiente que conheci um garoto que morada na descida da ladeira, o Marcelo. O Menino humilde que chamava minha tia de dona... ela já era amigo da gente, mas fiz questão de ser proximo dele. Proximo demais.
Eu gostava de Marcelo... queria abraça-lo, mas era uma coisa sem jeito, para mim, sentir o desejo e não demonstrar... tudo muito complicado.
Marcelo engraxava sapatos para ajudar a mãe no orçamento da familia, filho mais velho de quatro nascidos, desde muito cedo aprendeu a responsabilidade de cuidar de todo mundo. O Pai trabalhava na coleta de lixo, ficava muito tempo ausente.
Marcelo, ele era tão carismático. Eu o queria para mim.... as coisas não eram como são hoje.
Um dia convidei-o para assitir filmes com a gente lá na sala da minha Tia. a gente ficou de baixo do mesmo lençol... como disse a cidade era fria demais... foi aí que toque-o pela primeira vez. Desculpe-me se não te falo de detalhes, não me lembro, mas me lembro bem dele saindo da casa da minha tia com o olhar zangado. Ele não gostou... Nem bem era um olhar zangado, pensando bem parecia uma coisa de decepção...
Depois ele se mudou para um outro bairro mais distante, eu fui visita-lo algumas vezes, um pouco antes da sua mãe falecer, mas com o tempo fui perdendo o contato...
Um dia por acaso encontrei-o na rua, ele estava usando um macacão Jeans muito bonito, tenis novo... muito feliz... perguntei a ele se ele estava trabalhando, ele disse que não, e que havia ganhado o tenis e as roupas de um Padre, e que também não estava morando mais com o pai , agora estava morando com o Padre.

sábado, novembro 19, 2005

:: Capitulo XV :: O Escondido

A Igreja era um lugar onde eu me escondia. Novos amigos, garotos bonitos, não precisava ter namorada, não precisava fuder com elas, por conseguinte eu estava protegido, não precisava provar nada para ninguém, e homens que diziam a outros homens que os amavam. Hahaha...isso era engraçado. Era muito comum um homem dizer a outro, eu te amo irmão. Confesso que a princípio eu me assustei com aquelas declarações de amor explícitas. Mas tudo foi bem explicado, era amor cristão. Tudo bem.
Por algum tempo eu até sosseguei com meus desejos. Me concentrei em aprender a ser parte daquela sociedade, e pouco a pouco fui me tornando, muito, muito popular.
Foi então que me mudei para Juiz de Fora...

:: Capitulo XIV :: Era Deus quem eu procurava ?

Um dia meu pai me disse que eu não usasse a bíblia para me esconder de nada. Não sei porque ele disse isso para mim. Eu nunca falei da minha orientação sexual para ele... mas nada foi tão certo, e hoje acho que foi isso que eu fiz. Usei a Biblia, a religião, para me esconder.
Um dia missionário da igreja Mormom estiveram lá em casa, e bom, o missionário era lindo, eu fui atrás dessa beleza... sim , esta é a verdade, a principio eu fui atraz do belo rapaz. Sorridente, americano. Me conquistou.
Eu orei e pedi a Deus orientação. Uma coisa tenho que admitir aqui. EU SENTI QUE RA VERDADE. Mas não é sobre isso que tenho que falar aqui. Não é este o espaço nem a hora.
O fato é que fui batizado na igreja Mormom. Não posso ainda afirmar se foi erro, se foi acerto, no que posso dizer que seguir aquela religião era uma coisa que eu queria muito. Então eu fui, me batizei e estava muito feliz com a minha decisão, mas meu pai não ficou. Chegou na sala gritando como sempre, dizendo que ele foi o ultimo a saber que eu estava mudando de religião. Mas também pudera, a muito tempo, meu pai vinha se afastando de mim, não era de ser surpresa que ele fosse o ultimo a saber.
Estava feliz, fiquei triste, chorei, meu pai não gostava de mim. Este era o sentimento.
Acho que foi no dia seguinte que ele me disse, depois de se acalmar, para que eu não se escondesse atrás da bíblia... mas aí já era tarde demais.

:: Capitulo XIII :: Márcio

Então foi assim minha adolescência, transitando pelos corredores do Convento dos Padres, entre amigos recém chegados, amigos sinceros e outros nem tão sinceros assim. Cativado e amado, protegido e seguido. O Movimento Jovem me deu anos bons demais... e me livrou talvez de uma grande primeira paixão, Márcio.
Eu conheci Mácio na escola ginasial. Ele era ideal. Branco, corpo atlético, cabelos lisos divididos ao meio. Cheguei a usar meu cabelo com cachos divididos no meio por algum tempo, só para imita-lo. Márcio já sabia dirigir, pilotava moto, era inteligentíssimo, logo nos tornamos amigos. Ele amava artes marciais. Eu saía de minha casa de noite junto com uma amiga só para vê-lo treinar. De fato o treino era nada para mim, o simples fato de estar com ele, era oque eu queria.
Eu amava aquele cara. Pensava nele o tempo todo. Não consigo descrever qual é o sentimento. Era sim...frustrante. Ver estar tão perto, e não poder te-lo para mim.
Marcio era muito cobiçado por todas as garotas. Um dia fui conhecer a familia dele. Ele morava muito longe da minha casa, mas tinha uma familia legal. Não era rico. Mas a familia era do tipo batalhadora. Cinco filhos. Um irmão maior, que era bonito, mas longe do meu interesse, uma irmã, e dois irmão mais novos que Marcio, também muito bonitos. Passavam um sentimento de união muito grande. Porém a constante ausência do pai (os pais dele acabaram por se separar), e a mãe sempre trabalhando para sustentar a casa, todos eram também muito independentes. Incrivel. Só me lembro da irmã dele ser muito seria, os meninos, iclusive a mãe sempre estavam sorridentes.
Fui chato com Marcio, passei muito tempo aos pés dele, chegue a faze-lo desmanchar com uma namorada, por ciúmes (hoje sei oque foi). Eu o seguia em todos os lugares...
Um dia, apareceu o grupo jovem, e eu me distraí, esqueci o Marcio um pouco, fui deixando de lado, e bom, Marcio passou, mas deixou a marca de uma amizade muito grande, que veio a durar anos e anos... ele nunca soube, talvez desconfiasse, mas eu nunca disse que tudo aquilo era paixão.