Tinha um tio que me tratava muito bem. Ele era mais novo que meu pai, tinha dois filhos na ocasião, um casal.
Eu frequentemente o ajudava em seu trabalho. Houve uma época em que eu dormia na casa dele. um dia eu o vi nu pela abertura que ficou pela porta do banheiro. Foi o suficiente para aguçar a minha curiosidade.
Minha ousadia não era das grandes, o medo me mantinha na linha.
Em todos os lugares eu ia com ele. Para o futebol, embora detestasse futebol, mas tinha os vestiários onde todos os caras ficavam nus. E isso era maneiro.
Mas do que o homem, eu via no meu tio uma espécie de substituto do pai. Ele me levava com a família dele, para comer fora, agente tomava cerveja junto, íamos em vários lugares. Eu trabalha junto com ele no bar. Era um bom relacionamento. Ele era o pai que eu queria, sempre sorridente, sempre brincalhão. Não existia o puritanismo, e aquela coisa calada, velada. Meu tio xingava, falava de tudo, e o admirava pela alegria... tudo que eu não via em meu pai. Mas tinha a coisa atrativa, não posso negar, tudo muito misturado, tudo muito bagunçado. Tinha mesmo. E era bom.
Um dia fechamos o bar e meu tio me levou junto com a minha tia e prima para comermos hambúrguer em algum quiosque na cidade. Voltamos e meu pai estava a nos esperar , com a cara zangada. Meu tio me levou até meu pai que me perguntou da maneira grossa habitual..."Onde é que o senhor estava ?!!"...medo, minha voz não saiu... "Ele foi ali comer um hambúrguer comigo, não bate nele não, fui eu que chamei." Meu tio respondeu com tom ameno... e meu pai falou "...é mas ele tá merecendo... eu vou pegar esse 'caboclinho', eu só estou prometendo..."
Não me pergunte porque ele queria me pegar... não quero aqui dar uma inocente, realmente não me lembro porque ele queria me bater.
Subi para meu quarto, e deitei em minha cama... antes de dormir chorei um pouco.
Eu nem queria ter raiva do meu pai... mas eu tinha.