Seria preciso tempo para me lembrar disso com detalhes suficientes. Mas posso lhe dizer da vergonha, e da dor... do dia seguinte e dos dias que se passaram depois deste dia.
Um dia estavamos brincando com os meninos, que a esta alrura dos acontecimentos, me chatageava dizendo que iriam contar oa meu pai oque acontecerá lá dentro da casa deles. E por qualquer coisa se dizia em tom ameaçador "me de isso, se não vou contar o negócio". O negócio, era sim que era tratado toda "coisa feia" que era feita.
Um dia meu pai ouviu a chantagem, e viu minha reação de total submissão diante de tal ameaça.
Ainda me lembro de estar sentado diante de meu pai, de como me sentia pequeno diante daquele homem..."fazemos safadezas lá detrás da casa deles..." disse com a cabeça baixa... minha voz quase não saiu.
Meu pai me agarrou pela cintura da calça, e me levantou, segurando pela parte de trás, eu queria correr, mas não poderia, meus pés não tocavam o chão.
Ele gritava, estava com raiva, e me batia com muita força.
Minhas mão se enfraquecem agora, e meus olhos se enchem de lágrimas agora, por mesmo depois de tanto tempo ainda posso sentir toda raiva...
Ficou uma dor, uma mágoa, ficou sentimento de abandono... e um abismo que foi crescendo de acordo com o tempo que passava.
Eu fiquei com raiva dele... e por qualquer coisa ele gritava comigo... eu fiquei com medo dele... o minimo que fizesse era motivo dele me bater... eu fiquei distânte... e toda palavra que ele me direcionava era para me ameaçar.
E assim aos poucos eu me sentia como um barco deixando o porto, cheio de tristeza e medo... meu pai era o porto, cada vez mais distânte, sumindo no horizonte.
Cresci com medo dos homens.
Procurando um pai por aí, que me desse atenção, e carinho... chamei alguns de pai, mas a palavra saía torta, não encaixava... pai... guardei esta palavra para mim.
Acho que ela enferrujou.