Quando minha tia me mandou embora eu logo consegui alugar um lugar para morar junto com outro membro que mal aparecia lá. No entanto ele tinha moveis de quarto e eu só tinha um som. Minha mãe vei e me trouxe entre alguns utencílios de cozinha um carderno com receitas simples. Mas não deu certo morar com aquele rapaz, e a convite de uma familia da igreja eu fui morar na casa deles. num quartinho bem pequeno.
Eu dormia no chão. Quando o inverno apertou, forrei com jornais debaixo do colchão para ter um melhor isolamento.
Pouco antes do fim do contrato de estágio, a familia s mudou para o amazonas e então eu fui para uma república ( uma casa alugada por repazes) onde morava um outro irmão... depois essa república se dividiu em dois... foi ali que morei até ficar desempregado.
Deve ter sido o período onde passei mais dificuldades, pois não havia oque comer, e nunca tinha dinheiro suficiente para nada. Com frequencia eu pegava emprestada a bicicleta de meu primo para me locomover de um lugar para outro. Mas era tão tão difcil, pedalar com fome num lugar onde só tem morro.
Eu não tinha dinheiro para cortar o cabelo, e nem para comprar um barbeador, estava ficando com a aparencia de um mendigo, mas isso era o de menos...
Então surgiu um emprego, era para trabalhar como dedetizador com um dos membros.
O lider da igreja coçou o queixo, mas não me falou nada específico.
Em resumo, o cara é um enrrolado, não me pagava, fui vivendo de algumas economias que tinha no banco, era bem pouco, mas dava para tocar o barco.
Em busca de comida, cada dia eu ia para casa de um amigo, ou de alguém conhecido na esperança de filar algum rango. Eu nem sentia fome mais...estava fraco.
Mesmo não sendo pago , não tendo horário, trabalhar como dedetizador tinha seus momentos de conpensação. Um noite eu fui dedetizar uma padaria.
Essas eram as melhores. Quando entrei na padaria, disse a todos que não fossem lá, não entranssem até que eu disse que poderia. Tinha um tacho de brigadeiro sujo em cima da pia. Jantei brigadeiro.
mas chegou um momento que eu não poderia mais ficar naquele emprego. Quase todas as noites eu tinha que ir fazer dedetizações e ainda tinha que acordar no dia seguinte cedo. Eu estava magro, e logo ficaria doente de andar para casa na madrugada fria de JF.
No fim do mês não houve pagamento. Desisti.
Acordei e fui até a cidade.
Ele havia alugado uma saleta num predio velho, destes cujo o piso de madeira fazem um barulho oco quando se anda. Tomei o elevador antiguissimo, com portas de grade... "segui para o escritório".
- Eu não quero trabalhar mais com você... eu disse vacilante.
A cena seguinte foi deprimente. O homem fez um escandalo tão grande, ensaiou um choro, ajoelhou, implorou... tudo muito disimulado... infelizmente aquela era a unica maneira que eu tive para receber os atrasados. Ele ainda me enrrolou muito... mas me pagou.