Na missão eu tentei ser o mais feliz que podia com aquele trabalho de evangelização. O trabalho em si era cansativo e desgastante. Muita pressão com metas a cumprir, muitas reuniões, muita coisa ao mesmo tempo. Tudo para te manter ocupado, "para não haver tempo para pecar", diziam os líderes. Bom método... funcionava, mas confesso que caí nos erros banais. Fui rebelde, quebrei algumas das regras e até me masturbei. Mas quem não errou que atire a primeira bíblia.
E tinha meus desejos secretos, e nunca os externei. Ficava muito bem "na vontade" mas a maioria do tempo me ocupava. Eu era muito atípico na missão, fui irreverente na maioria dos casos, mas não ofensivo. Isso causava um certo desconforto em algum membros mais tradicionais.
Levei a vida de missionário com uma certa destreza. Sempre trabalhávamos em duplas, tive bons companheiros companheiros ruins e péssimos. Alguns visivelmente gays, mas isso era problemas deles, eu já tinha os meus.
Certa vez fomos todos dormir em uma casa só por conta de uma reunião que haveria de acontecer no próximo dia. Com a gente foi um jovem membro que na arrumação acabou por dormir ao meu lado no chão. De fato até hoje não sei o que ele foi fazer lá. Mas era jovem e se dava bem com os missionários, éramos a companhia ideal para este jovens aspirantes a missionários. Era normal que eles estivessem sempre conosco.
Durante a madrugada senti uma mão deslizando por dentro de minhas roupas. Até hoje meu coração bate mais forte ao relembrar isso. A mão daquele rapaz entrou dentro de minhas calças e alcançou meu penis rígido. Uma lágrima correu de meu olho fechado. Eu dizia em minha mente "NÃO", porém não tinha forças para para aquele movimento. O próximo golpe foi quando minha própria mão foi levada para dentro das calças dele. Não tenho motivos para mentir aqui, nem tão pouco me fazer de vitima. Isso foi fato, não assediei, fui assediado, meu erro foi não oferecer nenhuma resistência.
Quando minha mão tocou o membro dele enrijecido, senti que estava chegando ao orgasmo. Uma onda de pensamentos confusos invadiu minha cabeça. Orgasmo parece uma palavra boa, mas não com aquele peso de culpa. Queria que aquilo tivesse sido apenas um sonho molhado, uma polução noturna, comum entre os missionários, mas não foi. Um sentimento de tristeza tomou conta de mim.
Na manhã seguinte só me lembro do rosto semi encoberto do rapaz que me olhava como quem havia feito apenas mais uma molecagem. Para ele deveria ter sido algo interessante. Para mim foi a devastação da minha alma. Em cima de mim, a culpa por não ter sido mais forte. No fundo eu quis aquilo, busquei para mim esta situação. Eu mesmo sugeri que ele dormisse ao meu lado. Só não achei que isso seria levado a este extremo. O pesar era evidente em meu rosto. Eu não poderia falar com ninguém a respeito disso ou seria expulso da missão e voltaria envergonhado para casa, mais envergonhado ainda.
No ônibus a caminho da reunião, Brooke, de meus melhores amigos na missão, me perguntou com seu sotaque que tanto me fazia rir:
- Aconteceu algo, você está tão serio.
- Nada não...
Menti com um sorriso timido e fraco, como eu.