Então foi assim minha adolescência, transitando pelos corredores do Convento dos Padres, entre amigos recém chegados, amigos sinceros e outros nem tão sinceros assim. Cativado e amado, protegido e seguido. O Movimento Jovem me deu anos bons demais... e me livrou talvez de uma grande primeira paixão, Márcio.
Eu conheci Mácio na escola ginasial. Ele era ideal. Branco, corpo atlético, cabelos lisos divididos ao meio. Cheguei a usar meu cabelo com cachos divididos no meio por algum tempo, só para imita-lo. Márcio já sabia dirigir, pilotava moto, era inteligentíssimo, logo nos tornamos amigos. Ele amava artes marciais. Eu saía de minha casa de noite junto com uma amiga só para vê-lo treinar. De fato o treino era nada para mim, o simples fato de estar com ele, era oque eu queria.
Eu amava aquele cara. Pensava nele o tempo todo. Não consigo descrever qual é o sentimento. Era sim...frustrante. Ver estar tão perto, e não poder te-lo para mim.
Marcio era muito cobiçado por todas as garotas. Um dia fui conhecer a familia dele. Ele morava muito longe da minha casa, mas tinha uma familia legal. Não era rico. Mas a familia era do tipo batalhadora. Cinco filhos. Um irmão maior, que era bonito, mas longe do meu interesse, uma irmã, e dois irmão mais novos que Marcio, também muito bonitos. Passavam um sentimento de união muito grande. Porém a constante ausência do pai (os pais dele acabaram por se separar), e a mãe sempre trabalhando para sustentar a casa, todos eram também muito independentes. Incrivel. Só me lembro da irmã dele ser muito seria, os meninos, iclusive a mãe sempre estavam sorridentes.
Fui chato com Marcio, passei muito tempo aos pés dele, chegue a faze-lo desmanchar com uma namorada, por ciúmes (hoje sei oque foi). Eu o seguia em todos os lugares...
Um dia, apareceu o grupo jovem, e eu me distraí, esqueci o Marcio um pouco, fui deixando de lado, e bom, Marcio passou, mas deixou a marca de uma amizade muito grande, que veio a durar anos e anos... ele nunca soube, talvez desconfiasse, mas eu nunca disse que tudo aquilo era paixão.