quinta-feira, março 09, 2006

:: Capitulo XX :: Deveria ter ido embora.

Sem trabalho eu deveria ter ido embora para Campos, mas, eu ainda havia economizado algum dinheiro e dava para pagar a república ainda por algum tempo.
Era fato, eu ainda estava envolvido com F. Isso foi antes de me confessar.
Aconteceu então de os rapazes da república resouverem se separar em dois grupos e formar duas republicas. Eu fui para casa que era mais proxima da casa do meu tio. Por várias vezes fui lá almoçar porque a grana era curtíssima e não havia muito oque comer. Chegava cedo. A empregada sempre tinha alguma comida para mim. Eu ia sempre depois que minha tia saía e saía sempre antes que ela chegasse. Não sei, era vergonha de estar alí. Parecia que eu estava mendingando alguma coisa. Me lembro uma vez que a empregada me deu algumas coiasas para levar. Arroz, farinha, trigo, uma lata de leite condensado. Acho que foi a tia que pediu para ela me dar.

Arrumei um emprego de porteiro num cinema do centro da cidade. Eu até gostava, o chato era que as folgas eram na segunda... haviam duas mulheres que trabalhavam nos caixas. Uma delas, tinha o cabelo pintado de loiro, muito expansiva sempre conversava muito alto, ela me tratava muito bem. A outra uma senhora morena de voz doce, vivia a falar de seus filhos gemeos, sempre prometia que um dia iria traze-los para que eu os conhecesse. Eu nunca os conheci, porque ela entrou de férias na época em que eu saí do cinema e eu nunca mais as vi.
Havia outros dois porteiros além de mim. O Jorginho, mancava de uma das pernas. Não tinha muita instrução, era um pouco "puxa-saco". E outro cara, um moreno pequeno bem magro. Muito discreto, era homo, estava deixando a empresa. Eu ficaria no lugar dele.
O gerente era recém chegado também.
Um homem enorme. Um problema enorme...
É mesmo... eu deveria ter ido embora para Campos.